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A DAY AT THE RACES

“O ingrediente que foi adicionado no A Day At The Races foi este sentimento de liberdade que nós realmente sentíamos...” Brian May

 

A Day At The Raceso quinto álbum de estúdio dos Queen, foi gravado em Londres nos estúdios Sarm East, The Mano e Wessex, entre Julho e Novembro de 1976 e, tal como o seu antecessor, adoptou o título de um filme dos irmãos Marx. Foi o primeiro álbum totalmente produzido pela banda, com Mike Stone como engenheiro de som.

O álbum foi lançado a 10 de Dezembro de 1976 e atingiu o 1.º lugar no Reino Unido. Nos Estados Unidos, onde foi editado uma semana mais tarde, Races alcançou o 5.º lugar da tabela de álbuns da Billboard e tornou-se o primeiro LP norte-americano da banda a conseguir um Disco de Ouro, tendo depois alcançado também o Disco de Platina.

Tal como A Night At The Opera, que muitos consideram o seu álbum gémeo, A Day At The Races é uma produção rica e extremamente diversificada a todos os níveis, que explora todos os géneros e estilos musicais – desde as pesadas Tie Your Mother Down e White Man, até às delicadas You Take My Breath Away e You and I. Tem sido referido muitas vezes ao longo dos anos, sobretudo por Brian e Roger, que a banda encarou este álbum mais ou menos como uma continuação do trabalho anterior, de tal forma que os dois até podiam ter sido lançados em simultâneo.

A Day At The Races surge numa fase muito criativa dos Queen, em que eles se sentiam extremamente motivados. Todos os membros escreviam e criavam a um ritmo alucinante. Em quatro meses, produziram várias das suas gravações mais aclamadas e alguns dos seus singles mais venerados de sempre. Para muitos, este foi um dos melhores e mais completos álbuns da banda.

Tie Your Mother Down é uma composição de Brian, concebida em Tenerife, em 1968, enquanto trabalhava no seu doutoramento em astronomia. Embora ele tivesse a intenção de alterar o título e o refrão mais tarde, Freddie gostou da crueza da sua mensagem directa e, por isso, ela permaneceu intacta. Tal como aconteceu com a maioria das canções dos Queen, nas décadas seguintes, especulou-se muito sobre o significado exacto da letra, mas como os quatro membros evitavam normalmente especificar o significado das suas canções, a inspiração para Tie Your Mother Down, à semelhança de muitos outros clássicos dos Queen, permanece um enigma. É a segunda faixa do álbum, antecedida de uma introdução instrumental de um minuto, sem título, que inclui uma linha de guitarra que se repete no final do álbum. Apresentando um dos riffs de guitarra mais distintivos de sempre, uma verdadeira inspiração para os que gostam de simular actuações com uma «guitarra imaginaria», Tie Your Mother Down assegurou rapidamente o seu lugar nos espectáculos da banda na época, mantendo a sua presença nas digressões seguintes, até à última.

Brian: «Tie Your Mother Down foi construída em torno de um refrão com que eu andava às voltas há muito tempo. Lembro-me bem de onde a toquei pela primeira vez. Foi no topo daquela cadeia vulcânica em Tenerife, quando estava a fazer o meu douramento e tinha uma pequena guitarra acústica, que tinha comprado em Santa Cruz de Tenerife, onde tínhamos vivido. Lembro-me de tocar aquele riff e de ter gostado; estava a gostar de dobrar as cordas como parte do riff e estar ali a ver o pôr do sol e como que a acompanhá-lo a cantar. Naquela altura, ainda não tinha bem uma música, tinha apenas o riff e uma espécie de melodia em bruto na minha cabeça. Como diria o Paul Mccartney, temos a tendência de atirar para o ar qualquer palavra que nos venha à cabeça antes de termos tempo para pensar nela. Por isso, eu cantava Tie Your Mother Down e sentia que aquelas eram apenas palavras improvisadas; de certeza que no final seria algo diferente. Mas isso não aconteceu.»

Tal como Love Of My Life, do álbum anterior, You Take My Breath Away é um excelente exemplo do controlo imaculado de Freddie sobre a sua voz, baseando-se na escala harmónica menor e reflectindo apenas o seu criador e o piano. A música não poderia ser mais contrastante com Tie Your Mother Down, e, no entanto, as duas canções resultam bem juntas em perfeita harmonia. Antes de ter sido gravada para este álbum, Freddie, apresentou-a num concerto no Hyde Park, a 18 de Setembro do mesmo ano, e em três espectáculos anteriores em Cardiff e Edimburgo, Apesar de ter sido bem-recebida, foi depois afastada dos palcos para nunca mais voltar a ser interpretada ao vivo. Trata-se de uma gravação sublime e muitas vezes esquecida.

Long Away é uma canção pouco conhecida composta e cantada por Brian, o que não era inédito num álbum dos Queen. Porém, o que acontece aqui pela primeira vez é o facto de Brian tocar uma guitarra eléctrica de 12 cordas, para além da sua adorada Red Special (o instrumento único e insubstituível que ele concebeu e construiu à mão com o Pai, em 1963, e que ainda continua a usar). O resultado foi algo muito diferente de qualquer outra coisa ouvida até então num álbum da banda. Os fãs adoraram a música e continuam a referi-la como uma das suas favoritas entre as gravações menos conhecidas do grupo. Ainda assim, a canção nunca foi incluída num concerto ao vivo, nem lançada como single no Reino Unido (mas nos Estados Unidos, sim), pelo que não é possível encontrá-la em nenhum formato em termos de filmagens.

Além deste álbum, Long Away chegaria a um público ainda maior com o disco Queen Forever (lançado em Novembro de 2014), uma colectânea de baladas, na sua maioria pouco conhecidas, que abrange todos os quinze álbuns de estúdio. Long Away, Drowse, You Take My Breath Away e Somebody To Love, todas desde álbum, figuram nesta compilação.

The Millionaire Waltz, que, segundo se diz, fala sobre John Reid (o então empresário dos Queen e de Elton John), é mais uma proeza de Freddie estruturada pelo piano em várias escalas e pelo baixo. Os coros de Brian gravados em multicanal e o baixo exemplar de John (que Freddie não hesitou em destacar numa entrevista concedida na altura) fazem desta faixa um tema verdadeiramente impressionante – em especial na sua versão de concerto, apresentado como parte de um medley. Mais uma vez, está entre as composições menos conhecidas dos Queen,      que nem sequer foi editada como lado B, de um single. Constituiu, todavia, uma verdadeira jóia que revela a criatividade da banda em todas as suas vertentes.

You and I conta com o seu autor na guitarra acústica, enquanto Freddie toca partes de piano tipicamente percussivas e oferece mais uma interpretação vocal irrepreensível, transformando este tema relativamente descomplicado em algo muito mais profundo e memorável. De todas as canções incluídas em A Day At The Races, esta é talvez a omissão  mais estranha nos concertos da época, uma vez que as suas súbitas mudanças de compasso e estrutura teriam certamente sido transferidas sem esforço para as actuações ao vivo.

Somebody To Love, uma das canções mais conhecidas dos Queen, tornar-se-ia o mais importante single do álbum. Era também uma das músicas preferidas de Freddie entre as que ele próprio compusera. À semelhança de Bohemian Rhapsody, esta faixa apresenta complexas linhas vocais sobrepostas, ainda que desta vez seja baseada num arranjo de coro gospel. Uma combinação das vezes sobrepostas de Freddie, Brian e Roger, cria a impressão de se estar a ouvir um coro gospel de 100 vozes. É espantoso imaginar que os coros colossais nesta gravação possam ter sido produzidos por apenas três vozes, mais foi o que aconteceu. Os membros da banda sublinharam muitas vezes ao longo dos anos que foi por pura sorte que as três vozes se fundiram tão maravilhosamente bem para produzir um elemento tão distintivo do som dos Queen.

Brian: «O Freddie queria ser a Aretha Franklin, e é preciso ter isto em mente quando se ouve a música. Explica tudo. Ele adorava a Aretha e este foi o seu gospel épico. De certa forma, vem na continuidade de Bohemian Rhapsody, no sentido em que nós fomos construindo as múltiplas partes vocais, mas desta vez como se estivéssemos num coro gospel, e não numa espécie de coro inglês.»

White Man, uma faixa pesada em todos os sentidos da palavra, foi escrita por Brian e reflecte sobre a situação e o sofrimento dos nativos americanos às mãos dos colonizadores europeus no século XIX. A letra é tão emotiva quanto perturbadora, e não é de todo ambígua, algo pouco habitual em Brian. A sua parte principal está presente também na introdução do álbum e, mais tarde, seria o ponto central de um solo vocal de Freddie, na digressão News Of The World nos anos 1977-78. White Man é uma das canções mais negras dos Queen e uma das poucas na carreira da banda que aborda tão explicitamente questões políticas.

Good Old-Fashioned Lover Boy, da autoria de Freddie, é uma canção fascinante a vários níveis. Trata-se de uma composição totalmente atípica, e, no entanto, é ao mesmo tempo muito «muito Freddie». Tal como Bring Back That Leroy Brown, do álbum Sheer Heart Attack, e depois em Lazing On A Sunday Afternoon e Seaside Rendezvous, de A Night At The Opera, também aqui Freddie cede livremente à sua paixão pelas canções de estilo vaudeville nos anos 1920, e o resultado é algo com um som muito diferente e fresco. Mike Stone, o engenheiro de som, empresta pontualmente a sua voz a esta faixa, que mais uma vez seria, apesar de parecer improvável, uma das preferidas dos fãs, sobretudo quando tocada como parte do medley dos concertos daquela época. Tendo sido lançada no primeiro Extended Play (EP) dos Queen, Queen’s First E.P., em Maio de 1977, e sem vídeo para acompanhar, a faixa Lover Boy foi recriada para o programa da BBC «Top Of The Pops», com Roger a cantar a parte vocal de Mike Stone. Esta deliciosa filmagem (como muitas outras raridades dos Queen) permaneceu quase invisível até ao aparecimento do DVD Greatest Video Hits 1 em 2002, que alcançou o topo da tabela. A canção tornou-se um marco nas apresentações ao vivo dos álbuns A Day At The Races e News Of The World.

Drowse, a penúltima faixa do álbum, é a composição de Roger em compasso 6/8, em que este toca guitarra rítmica e canta todas as partes vocais, enquanto Brian toca slide guitar. Apesar de na altura Roger ainda não escrever tão frequentemente para a banda como Brian e Freddie, as canções da sua autoria eram muito interessantes e bem-recebidas pelos fãs. Esta não foi excepção, mas destacou-se em relação às suas anteriores contribuições.

Teo Torriatte (Let Us Cling Together) é o final adequado para A Day At The Races e um tributo de Brian aos fãs japoneses dos Queen. Tal com o título sugere, a maior parte da música é cantada por Freddie em japonês, um aspecto que ele referiria mais tarde na sua canção Let Me Entertain You, no álbum Jazz de 1978.

SINGLES

A primeira faixa lançada como single no Reino Unido foi Somebody To Love. Editado pela EMI a 12 de Novembro de 1976, e acompanhado de White Man, alcançou o 2.º lugar. A mesma dupla de músicas foi editada em todo o mundo, e a versão americana, publicada um mês depois, atingiu o 13.º lugar. O vídeo foi gravado nos Wessex Studios, em Outubro de 1976, e realizado por Bruce Gowers (o homem por detrás de Bohemian Rhapsody, no ano anterior). Inclui filmagens do lendário concerto dos Queen no Hyde Park, no verão do mesmo ano. Somebody To Love foi novamente um êxito em 1993, desta vez interpretada pelos Queen + George Michael no The Freddie Mercury Tribute Concert, o concerto realizado em memória de Freddie, tendo atingido o topo das tabelas em o EP Five Live.

Seguiu-se Tie Your Mother Down, a 4 de Março, acompanhada de You And I, single que alcançou o 31.º lugar no Reino Unido. Nos Estados Unidos e no Japão, a editora Elektra preferiu colocar Drowse no lado B. O vídeo foi gravado em Fevereiro de 1977 em Nassau, durante os ensaios para a digressão norte-americana da banda naquele ano, e mostra os Queen no seu melhor, aos saltos pelo, com uma atitude ameaçadora entre muito fumo, luzes ofuscantes e explosões – uma das quais arremessou literalmente Roger para fora do banco da sua bateria.

O terceiro single do álbum foi um lançamento exclusivamente japonês da faixa Teo Torriatte, acompanhada de God Old-Fashioned Lover Boy. Lançado em Março de 1977, e sem vídeo promocional, o disco ficou-se por um decepcionante 49.º lugar. Este é mais um excelente exemplo da qualidade das capas japonesas, sendo ainda hoje muito valioso entre os coleccionadores.

Queen’s First E.P. foi o single que se seguiu, lançado no Reino Unido a 29 de Maio de 1977. Apresentando uma faixa do segundo, terceiro, quarto e quinto álbuns da banda, respectivamente, a composição de Freddie God Old-Fashioned Lover Boy, deste álbum, surgiu ao lado de White Queen (do álbum Queen II), Tenement Funster (de Sheer Heart Attack) e Death On Two Legs (de A Night At The Opera). Não houve vídeo promocional para Lover Boy, apenas uma actuação no programa «Top Of The Pops», gravada na BBC TV Centre, em Junho. O single alcançou um assinalável 17.º lugar na tabela britânica, mas não foi editado nos Estados Unidos, Canadá e Japão.

No dia 7 de Junho de 1977, foi lançado o quinto e último single de A Day At The Races. Editado apenas na América do Norte, acompanhado de You And I, e mais uma vez sem vídeo promocional, Long Away não conseguiu entrar nas tabelas.

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