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A NIGHT AT THE OPERA

“O Bohemian Rhapsody foi completamente insano, nunca parámos de rir. Foi basicamente uma piada, mas uma piada com sucesso.” Roy Thomas Baker - Producer

 

Adoptando o nome de um filme clássico dos irmãos Marx, A Night At The Opera foi o quarto álbum dos Queen e o que melhor os definiu. Tratou-se de uma iniciativa de alto risco para a banda e surgiu num ponto de viragem na sua história.

 

Freddie recordaria mais tarde esse período: «Escrevíamos como loucos, como se estivéssemos esfomeados, impulsionados por alguma coisa. Havia tanto que queríamos dizer».

A fome que ele menciona resultou de uma série de mudanças profissionais e pessoais que estavam a acontecer no seio da banda e à sua volta, num período particularmente tenso e tumultuoso. Os Queen tinham finalmente escapado a uma estrutura de management sufocante, que instalara o desânimo entre o grupo. Os responsáveis por este período sombrio seriam denunciados publicamente na faixa de abertura do álbum, a cáustica Death On Two Legs (Dedicated To…).

Agora, com um novo empresário e livres das pressões emocionais e financeiras do anterior, os Queen regressavam aos estúdios de gravação com um vigor renovado, depois de receberem uma nova oportunidade e carta branca para comporem o tipo de álbum que quisessem. Finalmente, podiam concentrar-se em fazer a melhor música, sem nenhuma das preocupações que os tinham atormentado antes.

Apesar desta nova liberdade, sabe-se que muito dependia do resultado das sessões de gravação do Opera. Se este tivesse falado, é muito provável que os Queen não tivessem sobrevivido. Apesar de terem conseguido colocar dois álbuns no top 10, alcançando um importante sucesso internacional com os singles Seven Seas Of Rhye e Killer Queen, e esgotado concertos por toda a Grã-Bretanha, a banda enfrentava graves dificuldades financeiras no início de 1970. As gravações e digressões incessantes durantes três anos ainda não os tinham recompensado da forma que eles sentiam merecer. De facto, até ali, Roger, John, Brian e Freddie lutavam para sobreviver com um salário mínimo – que era tudo o que o empresário estava disposto a oferecer-lhes.

A espada que pairava sobre as suas cabeças parecia ter o efeito oposto ao esperado na criatividade da banda: o nível de produção de músicas novas e a sua complexidade eram tais que as gravações duraram quatro meses, tendo sido usados nada menos do que seis estúdios diferentes. Entre Agosto e Novembro de 1975, a banda monopolizou cinco estúdios de Londres – Roundhouse, Sarm East, Scorpio, Lansdowne e o Olympic –, bem como o agora famoso estúdio Rockfield, no País de Gales. Os seus membros chegaram a gravar vários trechos em simultâneo em diferentes estúdios, para poderem trabalhar de forma mais rápida e eficiente. À frente do projecto, estavam o produtor musical Roy Thomas Baker e o engenheiro de som Mike Stone.

Pode dizer-se que o que aconteceu nessa altura surpreendeu tanto a banda como o público, quando o álbum foi lançado em Novembro de 1975.

Freddie «Havia muita coisa que queríamos fazer em Queen II e Sheer Heart Attack, mas não fora possível. Com Opera, sim. Em relação à guitarra e às vozes, fizemos coisas que nunca tínhamos feito antes. Não havia limites».

Roy Thomas Baker recorda o dia em que, pouco depois do início das gravações, Freddie se sentou ao piano para tocar a sua última composição e, após três versos, parou e disse «Agora, meus queridos, é aqui que entra a secção de ópera». Mais tarde, Baker descreveria Bohemian Rhapsody como «totalmente insana», mas acrescentaria: «Nunca deixámos de rir. Foi basicamente uma brincadeira, mas uma brincadeira bem-sucedida».

Certa vez, a respeito das três semanas que demorou a terminar a faixa, Freddie comentou: «Obriguei o Roger, o Brian e o John a tocarem passagens em que eles perguntavam: ‘Que raio se está a passar aqui?’. Eram coisas como um acorde e depois um longo intervalo, e eles diziam: ‘Isto é ridículo!’. Mas eu tinha cada segmento na minha cabeça e sabia exactamente o que queria».

Brincadeira ou não, e apesar da resistência inicial da editora em lançar uma faixa com seis minutos de rock operático num single, Bohemian Rhapsody acabou por vender mais de 1 milhão e 250 mil cópias só na Grã-Bretanha, quando foi lançado a 31 de Outubro de 1975. Liderou a tabela do Reino Unido pela segunda vez em 1991, após a morte de Freddie em Novembro desse ano, e tem sido repetidamente votada desde então, em quase todo o mundo, como a melhor música de sempre. A história provou que aquela que fora considerada uma espécie de brincadeira na sua forma mais primitiva se tornou a composição mais conhecida e amada dos Queen, e isso não é certamente motivo de riso.

Curiosamente, Bohemian Rhapsody não foi a primeira escolha da banda para o single de abertura do disco. Freddie revelou: «Começámos a pensar num single a meio da gravação do álbum. Havia algumas hipóteses. A certa altura, pensámos em The Prophet’s Song, do Brian, mas depois Rhapsody surgiu como a escolha certa».

Este período de maratona produtiva dos Queen lançou também uma nova luz sobre a criatividade da banda. Embora se soubesse desde o início que a maioria das novas canções era da autoria de Freddie e Brian, Roger e John surgiram pela primeira vez como compositores de igual valor: Roger com a faixa obscura e I’m In Love With My Car, e John com You’re My Best Friend, uma canção habilmente simples, mas muito envolvente.

Freddie: «O John começou realmente a revelar-se naquela atura. O Brian e eu tínhamos escrito quase todas as canções até então, e ele tinha estado na retaguarda. Empenhou-se bastante e isso é muito bom. Aumenta a versatilidade dos Queen. É benéfico que quatro pessoas possam escrever, e que sejam todas fortes, porque se alguém escrever uma música que acharmos fraca, ela nunca entrará num álbum. Por isso, tivemos todos de trabalhar muito para manter o nível».

A Night At The Opera, segundo o crítico de rock Phil Sutcliffe, «é um monumento a tudo o que havia de maravilhosamente estranho nos Queen, E se ouvirmos o álbum no contexto da época em que foi gravado – em 16 pistas e sem um único músico contratado (‘Cada som, desde a tuba a um pente, cada molécula daquele álbum somos nós, apenas nós os quatro, cada átomo’, Freddie Mercury) – é difícil não admirar o feito arrojado dos Queen naquelas sessões ou negar a afirmação de Brian May de que, com este álbum, May, Taylor, Deacon e Mercury tinham conseguido o Sgt. Pepper’s dos Queen». Não admira, portanto, que A Night At The Opera tenha sido, segundo Mercury, o momento dos Queen em que «o vulcão entrou em erupção, quando de repente se fez Bang

Freddie sobre Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody era algo que queria fazer há muito tempo. Não foi uma coisa em que tivesse pensado muito nos álbuns anteriores, mas senti que o faria quando chegasse ao quarto álbum. Foi preciso pensar bastante, não saiu da nada. Algumas canções precisam desse tipo de estilo pomposo. Tive de trabalhar como um louco. Eu queria mesmo aquele tipo de canção e fiz alguma pesquisa. Embora fosse um pouco irónica e uma falsa ópera, eu queria que continuasse a ser uma coisa muito Queen.

Estou muito satisfeito com aquele estilo operático. Queria que a parte vocal fosse extravagante, porque estamos sempre a ser comparados com outras pessoas, o que é muito estúpido. Se se ouvir com atenção a parte operática, não há comparações possíveis, que é o que nós queríamos.

A maior parte estava na minha cabeça, mas houve momentos em que nem eu sabia o que estava a acontecer – como quase no final, quando algumas coisas iam acontecendo de forma espontânea. Quem é que sabe como uma canção vai terminar? Temos algo em mente, mas, quando se entra em estúdio e se trabalha durante dias a fio, as coisas mudam.

Muitas pessoas criticam duramente Bohemian Rhapsody, mas com o que é que ela pode ser comparada? Digam-me o nome de um grupo que tenha feito um single operático. Não me lembro de nenhum. Mas nós não o gravámos por pensarmos que seríamos o único grupo a fazê-lo; simplesmente aconteceu. Rhapsody pertence a uma época – foi uma música do seu tempo. Era o tempo certo para aquela faixa. Para ser franco, se a lançássemos hoje, não creio que tivesse sido um êxito tão grande. Não estou a ser modesto, nada disso; naquela época, havia o sentimento certo para aquele tipo de gravação majestosa.

O fato de risco era muito elevado. De início, os rádios não gostaram, porque a canção era muito longa e as editoras disseram que não podiam comercializá-la daquela forma. Depois de eu ter praticamente juntado as três músicas, queriam que eu as separasse de novo. Conseguem imaginar? Os seis minutos de duração podiam significar que as rádios se recusariam a passá-la. As pessoas diziam: «Vocês estão a brincar. Eles nunca vão pô-la no ar. Vamos ouvir apenas os primeiros compassos e depois cortam-na». Tivemos várias discussões. A EMI ficou chocada… «Um single de seis minutos? Estão a brincar!», disseram. Mas resultou, e eu estou muito feliz.

Falou-se muito de reduzirmos para uma duração de reprodução razoável para a rádio, mas nós estávamos convencidos de que seria um sucesso na sua totalidade. Já fomos forçados a fazer concessões, mas cortar uma música nunca será uma delas. Porquê fazê-lo se isso seria em detrimento da música? Eles queriam cortar três minutos, mas eu disse «Nem pensar! Ou sai na totalidade, ou não sai. Ou fica como é, ou esqueçam!». Ou seria um enorme fracasso ou as pessoas iriam ouvi-la e comprá-la, e então seria um êxito. Felizmente, foi um sucesso. Mas isso não significa que tivemos sempre razão, porque não foi assim. Podia ter acontecido exatamente o contrário.

O single vendeu mais de 1 milhão e 250 mil cópias só na Grã-Bretanha, o que é simplesmente espantoso. Imagine todas as avós a dançarem ao som dele!

Em Junho de 1976, You’re Are My Best Friend foi o segundo e último single de A Night At The Opera. Com John no piano eléctrico e um lado B com o tema ’39 – uma história de ficção científica –, a canção foi escrita em homenagem à mulher de John, Veronica, com quem ele casara no início do ano. A faixa revela um lado mais suave da banda, cujos singles tinham sido até então orientados para o rock. Continua a ser uma das preferidas dos fãs e foi extremamente popular nos concertos realizados na época. Com ela, John obteve o seu primeiro êxito no top 10, tendo alcançado o número 7 nas tabelas britânicas. Mais uma vez Bruce Gowers dirigiu o vídeo, que foi gravado em Abril de 1976, no meio de centenas de velas acesas.

A 31 de Outubro de 1975, quatro semanas antes do lançamento de A Night At The Opera, a composição de Freddie Mercury mais celebrada de todas, obra-prima gigantesca e épica – chamem-lhe o que quiserem; todas as descrições e adjectivos possíveis, já foram usados e reutilizados ao longo dos anos –, Bohemian Rhapsody (ou Bo Rhap, se preferirem) foi lançado e tomou de assalto o mundo e os seus colegas artistas. Foi o primeiro de apenas dois singles do álbum. Juntamente com I’m In Love With My Car, da autoria de Roger, o single revelou-se um imenso êxito global e permaneceu nove semanas consecutivas em 1.º lugar no Reino Unido e no topo das tabelas em muitos outros países.

Rhapsody, como era frequentemente chamada pelo seu autor, impôs-se de imediato como dos mais respeitados e amados seis minutos da história da música rock. Com ela, Freddie ganhou o seu segundo prémio Ivor Novello, em Janeiro de 1976, e continuou a vencer todos os prémios possíveis que o mundo da música tinha para oferecer. Obra de génio aclamada em todo o mundo, tem sido repetidamente votada como a canção número 1 de sempre em sondagens britânicas. Foi também nomeada Canção do Milénio e Canção Número Um de Todos os Tempos no Livro de Recordes do Guiness.

O vídeo que acompanha o single tem também subjacente uma história interessante. À beira de uma digressão de 26 concertos pelo Reino Unido, os Queen não puderam promover o single e, em vez disso, decidiram criar um filme da canção. A gravação, hoje universalmente conhecida, foi feita nos Elstree Studios, em Novembro de 1975. Demorou apenas dois dias a ser concluída e custou menos de 4000 libras. Fazendo eco, desde a sequência de abertura, do icónico retrato de grupo Mick Rock que foi capa do álbum Queen II, e com figurinos projectados pela designer britânica Zandra Rhodes, esta extravagância de Bruce Gowes/Queen abriu portas a um novo género de promoção de discos: o videoclipe.

Em Dezembro de 1991, um mês depois do trágico desaparecimento de Freddie, o single Bohemian Rhapsody foi de novo lançado para ajudar a instituição The Terrence Higgins Trust e como tributo ao seu criador. Foi um single de duplo lado A acompanhado de These Are Days Of Our Lives (do álbum Innuendo). Poucos ficaram surpreendidos quando o disco subiu novamente a número 1 em todo o mundo, tornando-se, desta forma, a primeira gravação da história a alcançar o 1.º lugar em duas ocasiões diferentes.

​Disc 1
1 - Death On Two Legs (Dedicated To...)  (Freddie Mercury)
2 - Lazing On A Sunday Afternoon  (Freddie Mercury)
3 - I'm In Love With My Car  (Roger Taylor)
4 - You're My Best Friend  (John Deacon)
5 - '39  (Brian May)
6 - Sweet Lady  (Brian May)
7 - Seaside Rendezvous  (Freddie Mercury)
8 - The Prophet's Song  (Brian May)
9 - Love Of My Life  (Freddie Mercury)
10 - Good Company  (Brian May)
11 - Bohemian Rhapsody  (Freddie Mercury)
12 - God Save The Queen  (arr. Brian May)

 

​Disc 2
1 - Keep Yourself Alive (Long-Lost Retake, June 75)  (Brian May)
2 - Bohemian Rhapsody (Operatic Section A cappella Mix 2011)  (Freddie Mercury)
3 - You're My Best Friend (Backing Track Mix 2011)  (John Deacon)
4 - I'm In Love With My car (Guitar & Vocal Mix 2011)  (Roger Taylor)
5 - '39 (Live at Earls Court, June 77)  (Brian May)
6 - Love Of My Life (South American Live Single June 79)  (Freddie Mercury)

 

(A Night At The Opera (2011 Remaster) (Deluxe Edition))

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