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LIVE AT WEMBLEY '86

“Obrigado, gente bonita. Boa noite. Deus vos abençoe.”
Freddie Mercury

 

Os concertos dos Queen no Estádio de Wembley, em Londres, no verão de 1986, foram eventos grandiosos para a época. Suscitaram um interesse massivo, tanto junta da imprensa como dos fãs, e nos anos que se seguiram, alcançaram um estatuto quase lendário. O segundo destes dois concertos foi transmitido várias vezes nas televisões de todo o mundo e ainda hoje, mais de 30 anos depois, é discutido regularmente nos fóruns dedicados à banda.

O Estádio de Wembley é também uma parte importante do musical ao vivo We Will Rock You, criado pela banda, pois é nele que a história culmina e o grande tesouro da música rock, há muito perdido, é por fim encontrado nas antigas torres de Wembley. Além disso, para muitas pessoas, é pelo vestuário característico deste período que Freddie é mais recordado: um blusão amarelo vivo e umas calças brancas imaculadas com uma faixa de cada lado. Por inúmeras razões, mas sobretudo pelos dois concertos espectaculares de Julho de 1986, os Queen e o Estádio de Wembley tornaram-se sinónimos um do outro.

O concerto apresentado nestes discos corresponde à segunda destas duas noites e integrou a etapa britânica da fantástica Magic Tour pela Europa, que começara na Suécia, em Junho, e culminou em Knebworth Park, em Hertforshire, a 9 de Agosto. O espectáculo realizado imediatamente antes do de Londres, em Newcastle, estou uma hora depois de os bilhete terem sido colocados à venda, e a banda doou os lucros à instituição de caridade Save The Children, para ajudar a financiar o seu trabalho dentro e fora do Reino Unido. O concerto de Manchester também esgotou em pouco tempo, de tal forma que houve procura suficiente para se vender o dobro da capacidade do recinto de 35 000 lugares, fazendo do concerto dos Queen o espectáculo mais rapidamente vendido na história da cidade.

Em 1986, a banda tocou para mais de 400 mil pessoas no Reino Unido, com uma audiência de 150 mil pessoas só em Wembley. No ano anterior, os Queen já tinham tocado em Wembley, no concerto Live Aid. Nesse acontecimento memorável, todos os artistas partilharam o mesmo cenário, mas esta foi a primeira vez que a banda utilizou o seu próprio equipamento de luz, som e palco neste local prestigiado.

De início estava apenas agendada uma noite para Wembley. Mas quando os bilhetes para o espectáculo de sábado, 12 de Julho, esgotaram em poucas horas, foi acrescentado um segundo concerto na sexta-feira. Os Queen tornaram-se, assim, a terceira banda de rock na história da música a tocar em dois dias consecutivos neste estádio.

Antes de iniciar a sua maior digressão de sempre, a banda passou mais de três semanas em ensaios nos Stonebridge Studios, perto de Wembley, a aperfeiçoar o espectáculo. Este longo período de ensaios decerto valeu a pena, porque todos os que assistiram a uma destas interpretações verdadeiramente mágicas ainda hoje a recordam. O DVD Live At Wembley Stadium é uma reprodução admirável destes concertos marcantes em Londres.

O espectáculo abre com uma introdução pré-gravada de One Vision e, de seguida, os Queen surgem em palco envoltos em fume e luzes resplandecentes para interpretarem o resto da música a um ritmo estonteante. Sem abranda, a banda segue para Tie Your Mother Down, que termina com uma série de explosões na parte da frente do palco. A imensa multidão fica mais uma vez fascinada com o espectáculo dos Queen ao vivo – Uma Noite de Magia de Verão, como mais tarde se tornaria conhecido.

A saudação inicial de Freddie «Olá mais uma vez, gente bonita! Isto está mesmo a acontecer? Está tudo bem? Querem divertir-se?», suscita a habitual reacção de entusiasmo da multidão. Depois, o ritmo abranda um pouco com o tema In The Lap Of The Gods, que dá início a uma sequência muito apreciada pelos fãs. Esta é a versão Revisited da canção, incluída no álbum Sheer Heart Attack de 1974, e foi a primeira vez desde 1977 que os Queen a tocaram ao vivo. Em seguida, com Freddie sentado ao piano, começa Seven Seas Of Rhye, com a característica abertura de teclas. Após um breve trecho de Liar, a banda regressa ao rock pesado com Tear It Up.

Neste ponto do concerto, um misterioso espectáculo de luzes e ruídos peculiares apodera-se do palco. Veem-se quatro figuras insufláveis gigantes, que representam os membros da banda, a erguerem-se do meio da plateia e a flutuarem em direcção ao céu de Londres. Freddie começa a cantar A Kind Of Magic e o significado dos insufláveis torna-se claro: são semelhantes às imagens dos quatro músicos que aparecem na capa do álbum. Tal como One Vision, o tema termina com um final explosivo num momento em que Freddie já conquistou definitivamente a multidão.

Under Pressure é a canção que se segue, com Roger e Freddie a unirem forças nas vozes durante a maior parte da música. Mais uma vez, o público canta com eles a letra bem conhecida do êxito dos Queen com David Bowie, que alcançara o primeiro lugar das tabelas do Reino Unido cinco anos antes.

«Sinto um pouco de boogie a chegar», explica Freddie, enquanto o groove rítmico de Another One Bites The Dust ressoa. Este estrondoso êxito de 1980 é também um dos temas favoritos em concerto, e esta versão é uma das mais funkie alguma vez gravadas.

Segue-se Who Wants To Live Forever, outra novidade do álbum Magic recentemente lançado, com Brian a acompanhar ao teclado a balada que escreveu para o filme Highlander.

Spike Edney toca teclado no início de I Want To Break Free, que, com o público a acompanhar, constitui mais uma interpretação inesquecível.

Depois de uma improvisação e de um solo de Brian na guitarra, segue-se Now I’m Here – um tema habitual nos concertos dos Queen desde que foi concebido, em 1974, e que inclui Freddie a cantar com o público.

O ritmo abranda com duas baladas de guitarra acústica, apenas com Freddie e Brian em palco. Love Of My Life é interpretada com toda a emoção da versão original de 1975, do álbum A Night At The Opera, com a multidão a juntar-se a Freddie numa colaboração empolgante. Depois vem Is This The World We Created, o último tema dos Queen interpretado no Live Aid um ano antes, sempre muito bem recebido pelo público. O tema foi escrito por Freddie e Brian e é sempre um momento de reflexão nos concertos – sobretudo no Live Aid.

Pela primeira vez de 1979, Roger assume uma posição na frente do palco com o resto da banda, para fazer segunda voz e tocar pandeireta no segundo medley da noite. Desta vez, as músicas não são dos Queen, mas sim uma selecção de versões acústicas de temas dos naos 1950: (You’re So Square) Baby I Don’t Care, Hello Mary Lou (Goodbye Heart) e uma canção que a banda costumava tocar nos seus primeiros espectáculos, Tutti Frutti. O fim desta faixa conta com Brian de novo na guitarra eléctrica e Roger de volta à bateria para um final delirante. Eis os Queen no melhor do seu rock and roll, oferendo ao público clássicos familiares, mas interpretados à sua maneira inimitável, com a classe e o sabor inconfundíveis da banda.

Surge depois um breve interlúdio sob a forma de Gimme Some Lovin’ – gravado originalmente pelos Spender Davis Group –, antes de Bohemian Rhapsody. Sendo um tema favorito nos concertos desde 1975, esta interpretação incluiu uma secção pré-gravada de ópera, enquanto a banda sai do palco para mudar de roupa. O público fica sozinho a cantar, maravilhado com as vozes e o espectáculo deslumbrante de luzes, até que a banda regressa no meio de nuvens de fumo para retomar a parte mais intensa da música. Este clássico de Freddie tão querido do público termina com o grande vocalista ao piano.

A multidão está agora em êxtase. Os Queen oferecem uma interpretação típica de Hammer To Fall, de novo por entre nuvens de fume e luzes. A seguir, o ambiente acalma com o tema Crazy Little Thing Called Love e Freddie a tocar guitarra eléctrica.

Após um curto intervalo, os membros da banda, exaustos, voltam ao enorme palco para interpretarem Big Spender. É uma versão mais curta do que aquela que os Queen costumavam tocar nos anos 1970, mas não menos poderosa.

 

O público, como sempre, está ansioso por se juntar à banda a cantar e bater palmas de braços no ar, nos temas Radio Ga Ga e We Will Rock You. Quando Freddie regressão ao palco, vem vestido com um blusão branco e vermelho e uma longa capa esvoaçante, e os fãs adoram.

Brian (a respeito do espectáculo de palmas em Radio Ga Ga): «Quando as luzes incidiram sobre o público e nós vimos, quase não conseguimos continuar a tocar. Olhámos apenas uns para os outros e pensámos: ‘Meu Deus, isto é mesmo incrível’. Viam-se todas as mãos a moverem-se em sintonia, mas apenas ligeiramente atrasadas à medida que se olhava para a parte mais afastada da plateia, que parecia não ter fim, até se tornarem apenas pequenos pontos ondulantes. Estar ali, naquele momento, foi a melhor sensação do mundo».

Depois de Rock You e Friends Will Be Friends, e com Freddie de novo sentado ao piano, os acordes familiares de We Are The Champions ecoam e todos no estádio cantam o refrão, sabendo que o espectáculo se aproxima do fim. Quando o refrão final enche o ar de Wembley, Freddie abandona o palco e, não sendo uma pessoa de meios-termos, reaparece envergando uma coroa real e um longo manto vermelho. Freddie é o Rei dos Queen – o Rei do Estádio de Wembley! God Save The Queen ouve-se bem alto no sistema de som enquanto os músicos fazem as vénias finais e Freddie levanta a coroa com jóias numa última despedida à multidão.

«Obrigado, gente bonita. Boa noite. Deus vos abençoe.»

Este concerto foi lançado primeiro com o título At Wembley, em formato VHS e LaseDisc, em Dezembro de 1990. Em 1992, foi editado em formato áudio, como Live At Wembley ’86. Por fim, em Junho de 2003, surgiu numa nova edição intitulada Live At Wembley Stadium e lançada em DVD (desta vez, com a versão integral do concerto). Em Setembro de 2011, apareceria uma edição comemorativa do 25.º Aniversário em DVD (que incluía também a segunda noite). Tudo isto faz com que as interpretações dos Queen em Wembley sejam as mais reconhecidas e icónicas que foram editadas – em CD, LP, LaserDisc, DVD e Blu-ray.

​Disc 1
1 - One Vision  (Queen)
2 - Tie Your Mother Down  (Brian May)
3 - In The Lap Of The Gods... revisited  (Freddie Mercury)
4 - Seven Seas Of Rhye  (Freddie Mercury)
5 - Tear It Up  (Brian May)
6 - A Kind Of Magic (Roger Taylor)  
7 - Under Pressure  (Queen & David Bowie)
8 - Another One Bites The Dust  (John Deacon)
9 - Who Wants To Live Forever  (Brian May)
10 - I Want To Break Free  (John Deacon)  
11 - Impromptu  (Queen)
12 - Brighton Rock Solo  (Brian May)
13 - Now I'm Here  (Brian May)

​Disc 2
1 - Love Of My Life  (Freddie Mercury)
2 - Is This The World We Created ...?  (Brian May/Freddie Mercury)
3 - (You're So Square) Baby I Don't Care  (Jerry Leiber/Mike Stoller)
4 - Hello Mary Lou (Goodbye Heart)  (Gene Pitney)
5 - Tutti Frutti  (Little Richard)
6 - Gimme Some Lovin  (Steve Winwood/Spencer Davis/Muff Winwood)
7 - Bohemian Rhapsody  (Freddie Mercury)
8 - Hammer To Fall  (Brian May)
9 - Crazy Little Thing Called Love  (Freddie Mercury)  
10 - Big Spender  (Dorothy Fields/Cy Coleman)
11 - Radio Ga Ga  (Roger Taylor)
12 - We Will Rock You  (Brian May)
13 - Friends Will Be Friends  (John Deacon/Freddie Mercury)
14 - We Are The Champions  (Freddie Mercury)
15 - God Save The Queen  (arr. Brian May)

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