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LIVE KILLERS

“Tragam o champagne e as rosas, isto é um triunfo. Oiçam e não se vão disapontar.”

Record Mirror

Live Killers, o primeiro álbum ao vivo dos Queen, foi gravado em vários locais durante a digressão europeia de 1979, entre Janeiro e Março. Produzido pela banda em colaboração com o engenheiro de som John Etchells, que também gravou os concertos, Live Killers foi o primeiro disco dos Queen misturado nos estúdios da banda – os Mountain Studios, em Montreux, Suíça – e o seu primeiro álbum duplo.


Embora corressem rumores de que alguns da banda não estariam totalmente satisfeitos com a mistura final do álbum, os fãs adoraram Live Killers, que se tornou um enorme sucesso no Reino Unido, onde foi lançado a 22 de Junho de 1979. Alcançou o 3.º lugar das tabelas e foi Disco de Ouro. Na América, onde foi editado com o selo da Elektra Records, chegou também a Disco de Ouro.


Durante mais de uma década, a maioria dos fãs considerou Live Killers como o melhor álbum ao vivo dos Queen. Ao longo dos anos 1980, foi surgindo uma enorme quantidade de material ao vivo em vídeo, e em 2004 foi lançado o primeiro de cinco impressionantes concertos que seriam editados em CD e DVD. Queen On Fire – Live At The Bowl (gravado em Inglaterra, em 1982) foi o primeiro. Seguiu-se Queen Rock Montreal, em 2007 (gravado no Canadá, em 1981), Live At Wembley Stadium (Londres, 1986), em 2011, Hungarian Rhapsody – Live In Budapest (Hungria, 1986), em 2012, e, recentemente, o mais antigo de todos estes espectáculos lendários, Live At The Rainbow ’74, editado em 2014. Para muitos admiradores da banda, o mais difícil, hoje em dia, é escolher um favorito entre todos estes.


Aqueles que tiveram a sorte de assistir a alguns dos concertos memoráveis realizados na Europa em 1979 concordarão que o duplo álbum Live Killers capta genuinamente a emoção, o poder absoluto e o entusiasmo incomparável que os Queen criavam em palco naquela altura. Embora muitos ainda o considerem como a melhor actuação ao vivo lançada ao momento, o álbum tem algumas omissões curiosas, Somebody To Love, If You Can’t Beat Them, Fat Bottomed Girls e It’s Late não foram incluídas, apesar de constarem de muitos espectáculos da digressão e de serem grandes favoritas do público. A quantidade de temas da banda apresentados ao vivo neste ano de 1979 foi tal, que Live Killers podia facilmente ter sido um álbum duplo.


A digressão europeia de 1979 – a maior dos Queen até então – começou em Hamburgo, na Alemanha, a 17 de Janeiro, e incluiu 28 espectáculos em sete países durante seis semanas, terminando com três concertos em Paris (alguns dos quais foram gravados) nos 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março. A tournée passou também pela Bélgica, Holanda, Suíça, França e Espanha, e incluiu o único concerto dos Queen na Jugoslávia.


O álbum começa com uma poderosa acelerada We Will Rock You, seguida de uma interpretação de igualmente esgotante de Let Me Entertain You, da autoria de Freddie, a canção com a letra mais adequada de sempre para um espectáculo ao vivo dos Queen. Segue-se outro medley habilmente executado – Death On Two Legs, Killer Queen, Bicycle Race –, numa sequência perfeita. Depois, Roger interpreta com uma voz intensa a canção I’m In Love With My Car, ao mesmo tempo que toca bateria. Este era um dos momentos altos do espectáculo para muitos fãs, e muitos consideram que esta interpretação em particular nunca foi superada em qualquer outro momento da digressão.


Segue-se Get Down Make Love, um tema algo experimental, e depois You’re My Best Friend, seguido do pedido de Freddie «Agora vão cantar». O público está, obviamente, mais do que disposto a colaborar. Uma versão acelerada de Now I’m Here mostra a banda ao rubro, sendo correspondida a cada instante pelos fãs. Esta é uma das versões mais intensas alguma vez gravadas; e depois, de súbito, o clima muda drasticamente com Freddie a cantar em conjunto com o público.


«Um pouco de absurdo» é como Brian se refere à próxima canção, Dreamer’s Ball, da sua autoria. Um tema fantástico do álbum Jazz, lançado no ano anterior, é a receita certa para abrandar o ritmo. Mais uma vez, o público canta com Freddie, que se mostra agradecido. Depois, Roger e John abandonam o palco, deixando Brian e Freddie sozinhos, sentados em bancos no centro do palco para interpretarem uma versão acústica de Love Of  My Life, do álbum A Night At The Opera. Nada no repertório dos Queen, antes ou depois, se compara a esta música interpretada em concerto. Mais uma vez, para aqueles que estiveram presentes nesta digressão, ou nas que se seguiram, esta interpretação arrebatadora, é uma recordação vivida da extraordinária relação entre Freddie e o público. Como sempre, com cada verso, ele leva a multidão a cantar num «dueto» emotivo e natural, que continua a ser tão comovente hoje como no dia em que foi gravado.


Brian: «O sentimento de satisfação por se fazer um bom espectáculo é incomparável. É quase a melhor coisa que se pode imaginar. Está-se muito focado, é uma vida muito simples. Não temos de nos preocupar com mais nada, excepto em fazer bem a nossa parte e aproveitar ao máximo as duas horas em palco todo os dias.»


Esta versão ao vivo de Love Of My Life, acompanhada de Now I’m Here, foi lançada como primeiro e único single britânico do álbum Live Killers, a 29 de Junho, uma semana depois do lançamento do LP. No entanto, como a promoção foi mínima, não passou da 63.º posição. A mesma dupla de músicas foi também lançada no Japão, em Maio, e noutros países europeus, mas voltou a não ter muito impacto. Na América do Sul, a história seria completamente diferente, já que o single alcançaria o 1.º lugar no Brasil ena Argentina, tornando-se o maior êxito dos Queen naquelas paragens, bem como a sua imagem de marca.


Duas outras gravações deste álbum, We Will Rock You (fast) e Let Me Entertain You, foram mais tarde editadas como lados B dos singles britânicos Crazy Little Thing Called Love. Esta dupla seria também editada no Japão, em Janeiro de 1980, num single que apresentava uma capa bastante atractiva para os confeccionadores. Também no Japão, a versão do álbum Live Killers do tema de Roger Sheer Heart Attack seria lançada como lado B do single Save Me, em Abril do mesmo ano.
 

Voltemos ao concerto… um rugido gigantesco irrompe assim que Freddie conclui Love Of My Life. A resposta é tão ensurdecedora que Brian tem dificuldade em se fazer ouvir. Neste ponto do álbum, Brian apresenta os três membros da banda que voltam ao palco, um a um, mas a recepção mais estrondosa é reservada para o homem das «maracas e, às vezes, da voz – O Sr. Freddie Mercury». Rapidamente, o espectáculo recomeça com uma versão despojada de ’39, à qual se segue o primeiro single de sempre dos Queen, Keep Yourself Alive.


A banda está agora a cerca de metade do concerto. Ainda há muito para ouvir, incluindo alguns dos maiores êxitos e uma certa canção chamada Bohemian Rhapsody.


«E agora, Don’t Stop Me Now», anuncia Freddie descontraidamente, dado assim início a uma interpretação mais acelerada do que a versão mais familiar do álbum Jazz. É uma das canções mais conhecidas e admiradas dos Queen, também muito apreciada em concerto. Com Freddie a cantar ao piano, um acompanhamento de bateria extremamente poderoso e a foz de apoio de Roger, esta é certamente uma das interpretações ao vivo mais emocionantes e arrebatadoras da banda alguma vez gravadas. As actuações ao vivo desta música parecem ter uma vibração e uma energia que as gravações de estúdio não possuem e, tal como se pode ouvir, os dedicados fãs europeus acompanham Freddie e a sua banda a cada segundo da música.


Quase sem tempo para respirar, segue-se um single do álbum News Of The World, Spread Your Wings. Mais uma vez, Freddie interpreta-a com uma precisão impecável, e a multidão acompanha-o o de novo a plenos pulmões. À semelhança de Love Of My Life na primeira parte, esta canção dá ao publico a oportunidade de brilhar tanto quanto a banda e, conduzido por Freddie, fá-lo de forma admirável. A multidão não falha na letra, está afinada, sem nunca interromper o fluxo principal. Até Freddie fica impressionado, como se pode ouvir, quando o público, completamente envolvido, se junta a ele e canta «spread your little wings and fly away, far away…».


Assim que Wings termina, Freddie apresenta «uma coisa especial, agora». O tema Brighton Rock, retirado, como ele próprio explica, «do álbum Sheer Heart Attack». É um dos temas mais intensos de Live Killers. É, sem dúvida, memorável, contando com uma interpretação vocal ameaçadora por parte de Freddie, a guitarra igualmente agressiva de Brian e os potentes ritmos certos e omnipresentes de John e Roger como fundo. É uma gravação verdadeiramente portentosa dos Queen, no ponto mais alto do melhor que faziam em concerto.


O espectáculo aproxima-se agora do fim, com uma breve amostra de uma faixa pouco conhecida chamada Mustapha, do álbum Jazz. Aqui encontramos Freddie a cantar, não em inglês, nem em japonês (como fez em A Day At The Races), mas em árabe. É apenas um breve prelúdio para o acontecimento principal, porque logo a seguir o grande Freddie Mercury está ao piano para as notas de abertura de Bohemian Rhapsody. Esta é claramente a mais famosa composição do grupo, e não apenas pelo mítico vídeo que a acompanha. O tema era igualmente idolatrado em concerto. Foi apresentado pela primeira vez ao vivo em Novembro de 1975, inserido num medley, e a partir daí passou a ser incluído em todos os concertos – em várias formas – até ao derradeiro.


Tie You Mother Down surge a seguir e é tão excêntrica como qualquer outra música apresentada ao vivo pelos Queen. Segue-se uma interpretação igualmente frenética de Sheer Heart Attack. Neste ponto do concerto, a banda deu, mais uma vez, quase TUDO o que tinha para oferecer ao público. O que resta é um segundo encore, que surge como o início imediatamente reconhecível da versão normal de We Will Rock You, vem We Are The Champions, e enquanto cantam, acompanhando de novo cada palavra, os fãs sabem que se aproxima o fim de mais um momento extraordinário do grupo. Em breve, tudo terá terminado.


«Obrigado. Boa noite a todos. Vocês foram um público incrível. Até breve!» Freddie despede-se, ouve-se o hino nacional britânico God Save The Queen, os Queen abandonam o palco, o concerto termina, e também o álbum Live KIllers.
Poucos discordarão de que os Queen e John Etchells escolheram realmente as melhores gravações para o álbum Live Killers, de entre os muitos concertos gravados durante a digressão. Foi preciso filtrar uma enorme quantidade de material, e o que emergiu em Junho de 1979 resistiu certamente ao teste do tempo.
 

​Disc 1
1 - We Will Rock You (fast)  (Brian May)
2 - Let Me Entertain You  (Freddie Mercury)
3 - Death On Two Legs (Dedicated To...)  (Freddie Mercury)
4 - Killer Queen  (Freddie Mercury)
5 - Bicycle Race  (Freddie Mercury)
6 - I'm In Love With My Car  (Roger Taylor)
7 - Get Down, Make Love  (Freddie Mercury)
8 - You're My Best Friend  (Jonh Deacon)
9 - Now I'm Here  (Brian May)
10 - Dreamers Ball  (Brian May)
11 - Love Of My Life  (Freddie Mercury)
12 - '39  (Brian May)
13 - Keep Yourself Alive  (Brian May)

​Disc 2
1 - Keep Yourself Alive (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Brian May)
2 - The Night Comes Down (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Brian May)
3 - Great King Rat (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
4 - Jesus (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
5 - Liar (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
6 - Mad The Swine (June 72)  (Freddie Mercury)

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