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QUEEN

“Quando gravámos o nosso primeiro álbum, éramos todos apenas estudantes a acabar os nossos cursos.”
Brian May

 

O primeiro álbum dos Queen foi gravado em Londres entre 1971 e 1972, nos estúdios Trident e De Lane Lea. Embora a banda já tocasse no circuito de clubes e universidades da capital inglesa e arredores há quase dois anos, sendo bem-sucedida ao vivo com um número considerável de seguidores, ainda não conseguiria um contrato de gravação.

Quando surgiu a oportunidade de testarem um novo espaço de gravação em Londres, chamado De Lane Lea Studios, os Queen aproveitaram-na ao máximo para produzirem uma demo cuidada, contento cinco gravações: Keep Yourself Alive, The Night Comes Down, Great King Rat, Jesus e Liar. Ainda assim, e apesar da sua qualidade e originalidade, e de algum interesse por parte da editora Chrysalis Records, o grupo não conseguiu o contrato que tanto desejava. Foi um período extremamente frustrante, sobretudo porque outros artistas como David Bowie, T-Rex e Roxy Music já tinham obtido contratos com editoras discográficas importantes e estavam a gravar canções que se tornavam êxitos – precisamente aquilo por que os Queen ansiavam. A banda não sabia o que fazer para um dia vir a entrar no mercado, o que parecia estar a anos-luz de distância.

O grupo acabaria por assinar um contrato com a Trident Audio Productions, de Norman & Barry Sheffield, mas sem o apoio de uma editora, a Trident não financiaria a utilização do estúdio de gravação durante o dia (período em que o espaço era mais caro), não restando outra opção senão a de o utilizarem apenas quando mais ninguém precisasse. O primeiro álbum foi totalmente gravado desta forma, em «tempos mortos», geralmente a altas horas da noite ou de manhã muito cedo, pelo que a experiência não foi tão agradável e descontraída como poderia ter sido. A situação estava longe de ser aquilo com que os quatro músicos em início de carreira sonhavam. Não obstante, os Queen conseguiram criar um trabalho de estreia impressionante, aqui que, quando o disco acabou por ser lançado pela editora EMI, a banda já o considerasse um pouco desactualizado.

Todas as faixas foram produzidas pelos Queen, por Roy Baker e pelo produtor residente dos estúdios Trident, John Antonhy à excepção de The Night Comes Down, que foi gravada pela banda e por Louise Austin nos De Lane Studios. Roy Baker, Mike Stone, Ted Sharpe e David Hentschel foram os engenheiros de som.

A capa do álbum foi concebida por Brian, Freddie e Douglas Puddifoot, fotógrafo e amigo da banda, e baseia-se numa fotografia tirada em palco durante um dos primeiros concertos dos Queen. Consiste numa imagem de Freddie, da autoria de Puddifoot, a actuar sob a luz de um holofote, e que a banda julgou ser apropriada para a capa.

Embora tenham sido considerados outros títulos para o álbum, nomeadamente Top Fax, Pix & Info e Deary Me, acabaram por decidir que se chamaria simplesmente Queen. O álbum foi lançado a 13 de Junho de 1973 e subiu ao 24.º lugar das tabelas – o suficiente para valer À banda o seu primeiro Disco de Ouro. Nos Estados Unidos, foi editado em Setembro, numa versão de capa cor-de-rosa.

O álbum deu início à famosa nota «Nobody played synths» («Ninguém tocou sintetizadores»), uma imagem de marca da banda que figuraria em todos os álbuns dos Queen até ao The Game, em 1980. O grupo estava cansado de ver os seus elaborados e inovadores efeitos de guitarra em multipista serem confundidos com sintetizadores, quando, na verdade, grande parte do som era criado por Brian com a sua guitarra, usando o próprio equipamento da banda e técnicas de gravação pioneiras – incluindo o amplificador - «Deacy amp», concebido por John Deacon e ainda hoje utilizado.

A pareceria dos Queen com os irmãos Sheffield terminaria com uma amarga separação. Todo este período está bem documentado e a canção cáustica Death On Two Legs, escrita por Freddie e incluída no álbum A Night At The Opera (1975), conta tudo o que há para dizer sobre este capítulo turbulento na história da banda.

O álbum de estreia dos Queen começa com Keep Yourself Alive, uma faixa que remonta aos primeiros ensaios do grupo e que, na verdade, é anterior à chegada de John Deacon. Esta canção acabaria por ser lançada como primeiro single da banda. Mais tarde, numa entrevista para a estação de rádio da BBC, Brian recordou que, no início, quando escrevera a letra de Keep Yourself Alive, a considerava irónica e algo sarcástica. Só quando Freddie a cantou em estúdio é que o seu sentido parecer mudar por completo. Ele trouxe uma perspectiva totalmente nova ao tema, tal como aconteceria muitas outras vezes.

Doing All Right é uma faixa pouco conhecida de guitarra acústica e piano, escrita por Brian e Tim Staffell, que tinham sido colegas numa banda anterior os Queen, os Smile. Este pequeno grupo de três elementos, formado por May, Staffell e Roger Taylor, dissolveu-se em 1969. Quando Staffell saiu para criar outra banda, Freddie Bulsara (mais tarde, Mercury), então estudante de arte em Ealing, juntou-se ao grupo, e assim nasceram os Queen.

O álbum Queen contém duas das primeiras composições mais sugestivas de Freddie. O vocalista exibe a sua mestria ao piano em My Fairy King, uma canção que, juntamente com Great King Rat, apresenta um desempenho vocal que revela já um talento e uma amplitude de voz que não podiam ser ignorados. Talvez o mais significativo sejam as letras, pelo menos para muitos fãs. É visível, desde a primeira linha de Great King Rat, o dom extremamente original de Freddie para as palavras e para a melodia. A sua intransigente canção épica de seis minutos e meio, Liar, surgem também neste álbum. Na altura, foi interpretada em concertos e depressa se tornou uma referência nos espectáculos ao vivo.

Deacon John (como é referido nos créditos deste álbum) ainda não escrevera nenhuma canção para o grupo. A sua primeira composição surgiria em 1974, com Misfire, no álbum Sheer Heat Attack. Roger Taylor, por sua vez, contribuiu com Modern Times Rock’n’Roll, a sua primeira faixa para a banda. Trata-se de uma música tipicamente enérgica, dominada pela percussão e cantada pelo seu autor, que continua a soar vibrante e fresca 40 anos depois. Foi amplamente interpretada nos concertos ao vivo da época, com Freddie na voz principal em vez de Roger.

Durante este período, um dos temas da banda mais forte ao vivo era Son And Daughter. A letra desafiante ofereceu a Freddie algo verdadeiramente agressivo para interpretar ao vivo, e ele conseguiu-o sempre na perfeição. Vestido com fantásticas blusas fluídas em preto e branco e calças de cetim à boca-de-sino, com enormes saltos altos e uma variedade incrível de pulseiras, e tudo o que ele conseguisse encontrar para criar um efeito dramático, as actuações dos Queen em palco naquela altura eram um espectáculo extraordinário. O equipamento de luz era certamente modesto quando comparado com o que surgiria mais tarde, mas os concertos nunca deixaram de impressionar aqueles que os viram, como ficou patente em muitas críticas publicadas na época.

Foi também nesta época que os membros da banda, especialmente Freddie, fizeram pela primeira vez experiências com maquilhagem. A atenção aos pormenores esteve sempre em primeiro plano, quer em estúdio quer nos espectáculos ao vivo. Freddie pintava de preto as unhas da mão esquerda, enquanto Brian usava branco para contrastar. Além disso, o logótipo com o famoso brasão dos Queen, que aparece na parte da frente da bateria e que figurava também na contracapa do primeiro álbum, foi concebido por Freddie, tornando-se uma imagem familiar na maioria dos produtos da banda.

A extravagante, mas extremamente comovente penúltima faixa, Jesus, da autoria de Freddie, faz também parte do lado mais pesado do repertório dos Queen, Desde os primeiros acordes de guitarra até aos derradeiros coros, a música exige atenção a cada nota e a cada palavra da letra, deixando no ouvinte uma marca indelével.

O álbum encerra tranquilamente com Seven Seas Of Rhye. Mas esta não é a versão mais conhecida, porque Freddie ainda não tinha terminado a letra. Aqui, ouvimos apenas uma versão instrumental, que não deixa de ser um vislumbre cativante do que surgiria mais tarde no segundo álbum. O plano da banda era terminar este álbum com a primeira versão, e depois abrir o disco Queen II com a versão final já com letra. Porém, esta acabaria por ser escolhida para finalizar o segundo álbum, além de ter sido, obviamente, lançada como single – que viria a ser o seu primeiro grande êxito no Reino Unido.

1 - Keep Yourself Alive  (Brian May)
2 - Doing All Right  (Brian May/Tim Staffell)
3 - Great King Rat  (Freddie Mercury)
4 - My Fairy King  (Freddie Mercury)
5 - Liar  (Freddie Mercury)
6 - The Night Comes Down  (Brian May)
7 - Modern Times Rock'n'Roll  (Roger Taylor)
8 - Son And Daughter  (Brian May)
9 - Jesus  (Freddie Mercury)
10 - Seven Seas Of Rhye  (Freddie Mercury)

Disc 2
1 - Keep Yourself Alive (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Brian May)
2 - The Night Comes Down (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Brian May)
3 - Great King Rat (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
4 - Jesus (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
5 - Liar (De Lane Lea Demo, Dec 71)  (Freddie Mercury)
6 - Mad The Swine (June 72)  (Freddie Mercury)

(Queen (2011 Remaster) (Deluxe Edition))
 

 

 

SINGLES

Keep Yourself Alive foi lançada pela EMI Records como primeiro single dos Queen, a 6 de Julho de 1973, acompanhada de Son And Daughter, sendo ambas da autoria de Brian May. Uma das críticas da altura, que irritou particularmente Brian, acusava-a de «demorar demasiado tempo a acontecer», referindo-se à longa introdução de guitarra. Foi em parte por isso o que segundo single, Seven Seas Of Rhye, optou por atirar TUDO ao ouvinte logo nos primeiros segundos. Contudo, a banda ainda teria de esperar pelo seu primeiro êxito com um single.

O tema Liar, que a EMI nunca lançou na Europa como single, foi editado nos Estados Unidos pela Elektra Records, em Fevereiro de 1974, no seguimento de Keep Yourself Alive. No entanto, a música seria alterada de várias formas, sem o conhecimento da banda, numa tentativa de a inserir no formato single tradicional, de três minutos. O resultado foi um remix horrível que a banda detestava e que desapareceu sem deixar rasto. Os Queen teriam de esperar até Outubro de 1974, com Killer Queen, para alcançarem o seu primeiro êxito norte-americano.

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