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QUEEN II

“Para mim, o Queen II era o tipo de música emocional que eu sempre quis ser capaz de tocar,
apesar de não podermos tocar a maioria em palco porque era demasiado complicado”. 
Brian May

 

O segundo álbum de estúdio dos Queen foi lançado a 8 de Março de 1974, coincidindo com uma digressão de 22 concertos pelo Reino Unido, que começou em Blackpool no início daquele mês. O título do álbum foi muito discutido pelos membros da banda que, depois de terem considerado várias alternativas, tais como Over The Top, se decidiram finalmente por QUEEN II.


Gravado nos Trident Studios de Londres, em Agosto de 1973, a banda pôde, finalmente, utilizar o estúdio a horas normais, e, ao contrário do primeiro álbum, aproveitar para experimentar as suas muitas ideias para novas técnicas, texturas e sons. Finalmente, os Queen podiam gravar um álbum como queriam, quando queriam, e sem as restrições impostas à gravação do seu trabalho de estreia.


No entanto, este álbum também não esteve isento de problemas. A conclusão das gravações coincidiu com a crise de petróleo de 1973, e as consequentes medidas de poupança energética impostas pelo governo britânico atrasaram em vários meses a produção do disco.


Queen II foi produzido por Robin Geoffrey Cable, Roy Thomas Baker e pela própria banda, com Mike Stone como engenheiro de som. O conceito para a capa baseou-se numa fotografia de Mariene Dietrich de que Freddie gostava, e a banda contratou Mike Rock para criar um efeito semelhante. Desde então, tornou-se uma das imagens do grupo mais conhecidas e frequentemente utilizadas, continuando a causar tanto impacto hoje como em meados da década de 1970. Mais tarde, em 1975, a fotografia seria reutilizada para o vídeo promocional de Bohemian Rhapsody. A recriação feita da imagem inspirada em Dietrich pelo realizador Bruce Gowers deu vida à capa do álbum Queen II de uma forma impressionante, e com este disco nasceu um formato inteiramente novo de promoção: o videoclipe.
 

Em contraste com este retrato icónico dos Queen dominado pelo preto, a fotografia interior do álbum apresenta a banda em trajes igualmente sumptuosos, mas desta vez vestida de branco, contra um fundo também ele branco. O tema manteve-se no interior do formato original em LP. Em vez dos habituais lados 1 e 2, o disco apresentava um «Lado Branco» e um «Lado Preto», cada um representando as contribuições individuais dos membros do grupo em termos de composição. As cancões escritas por Freddie, incluindo The March Of The Black Queen, ocupavam o «Lado Preto», enquanto as composições da autoria de Roger e Brian, incluindo White Queen, estavam no «Lado Branco». Nesta altura, John ainda não tinha começado a escrever para os Queen. A sua primeira composição surgiria mais tarde, no álbum Sheer Heart Attack.


A estética a preto e branco constituiu uma parte importante da aura dos Queen em 1974, não apenas em termos de gravação ou da concepção gráfica e do design, mas também em palco. A banda apresentava-se sempre numa combinação de preto e branco, com o palco e até o bombo da bateria decorados a condizer – bem como a maioria do público! Os Queen dominavam a arte de fazer com que as suas actuações ao vivo causassem sempre um impacto duradouro. Com uma música inventiva, luzes coordenadas, capas extravagantes, calças de cetim à boca-de-sino e saltos altos (vestuário desenhado por estilistas de topo como Zandra Rhodes), os Queen conseguiam-no com a maior das competências.


O álbum Queen II acabaria por subir ao 5.º lugar nas tabelas do Reino Unido, um feito para o qual contribuíram, em grande parte, as digressões constantes, o primeiro êxito com um single, Seven Seas Of Rhye (lançado duas semanas antes do álbum), e a estreia da banda no programa de televisão da BBC, «Top Of The Pops». O álbum garantiu aos Queen o seu primeiro Disco de Ouro tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos.
Queen II abre com uma curta faixa instrumental intitulada Procession, um tema que recorre a efeitos multipista na guitarra, que já tinham sido usados como introdução nos concertos de 1973/74. Entre as outras canções de Brian, incluía-se Father To Son, com mais de seis minutos de duração, uma das faixas mais ambiciosas do álbum e que se revelou também um ponto alto dos concertos. 


Brian May afirmou na altura: «Os Led Zeppelin e os The Who têm certamente o seu lugar no álbum, porque estão entre as nossas bandas preferidas. Mas o que nós tentámos fazer de diferente em relação a qualquer um deles é este tipo de som multipista. Os The Who tinham o som da guitarra com acordes abertos, e há um pouco disso em Father To Son, mas o nosso som baseia-se mais no som de guitarra distorcido, que é usado na maior parte da música… Mas eu também queria construir texturas por trás das linhas principais da melodia».


White Queen (As It Began), escrito por Brian, tornou-se rapidamente um dos temas preferidos entre os fãs e foi acrescentado de imediato ao alinhamento dos espectáculos ao vivo, com Freddie ao piano – um bónus, uma vez que a versão original não contava com teclado.  


Pela primeira vez em disco, Brian canta neste álbum uma das suas composições, Some Day One Day, além de tocar guitarra acústica e eléctrica. Roger interpreta também uma música da sua autoria, The Loser In The End.
O «Lado Preto» abre com Ogre Battle, uma das seis composições de Freddie para este trabalho. Esta faixa clássica, com sons pesados de guitarra e efeitos de som invertido, é um dos temas mais densos e musicalmente complexos do reportório da banda. Para a segunda canção do álbum, também da sua autoria, Freddie inspirou-se numa pintura exposta na Tate Gallery de Londres, de Richard Dadd, The Fairy Feller’s Master Stroke, de onde retirou o título. Deixando de lado as suas interpretações mais habituais ao piano, Freddie toca cravo, nesta faixa. Esta peça com arranjos intrincados e tantas vezes esquecida, como muitas outras deste álbum, possui uma letra fantástica que revela toda a diversidade e imaginação da escrita de Freddie, contendo referências directas ao conjunto das personagens e cenas representadas no quadro. Há muito para descobrir nesta música, quer na letra quer na melodia, tal como em todo o álbum.


The March Of The Black Queen, com as suas linhas de guitarra e harmonias vocais complexas, e uma duração superior a seis minutos, é talvez a canção mais memorável do álbum, e certamente a mais dramática, apresentando quase todas as marcas distintivas dos Queen naquela época. TUDO o que o grupo tinha para oferecer em 1973/74 está nesta faixa, por isso não surpreende que, quatro décadas depois, continue a ser uma as predilectas dos fãs.
 

A ideia original era abrir o álbum com Seven Seas Of Rhye, continuando a partir do ponto em que a versão, instrumental inacabada tinha ficado no álbum anterior. No entanto, no final das gravações, decidiu-se que a música funcionaria melhor a encerrá-lo do que a abri-lo. Ao contrário da versão do disco de estreia, sem vozes, esta interpretação era uma música completa de pleno direito: rica em guitarras, percussão e vozes e terminando com um sorriso irónico e a equipa de estúdio a cantar «I do like to be beside the seaside…» («Gosto mesmo de estar à beira-mar»).


A digressão Queen II teve início em Blackpool a 1 de Março de 1974 e foi a primeira digressão dos Queen como cabeças-de-cartaz. Foi um enorme sucesso do princípio ao fim, especialmente depois do lançamento do single e do álbum, e incluiu, pela primeira vez, o lendário Rainbow Theatre – o primeiro concerto da banda a ser filmado. A actuação nesta sala de Londres foi a concretização de um sonho para os jovens membros dos Queen, e as filmagens estão, ainda hoje, entre as mais populares do grupo neste seu período inicial. Os três concertos que os Queen realizaram no Rainbow em 1974 (este e outros dois da digressão Sheer Heart Attack no final do ano, em Novembro) foram alvo de uma fantástica edição especial lançada em 2014 em vários formatos – CD, DVD e Blue-ray -, sob o título Queen At The Rainbow ’74.


Brian May: «Para mim, Queen II representou o tipo de música emocional que sempre desejámos poder tocar, embora não pudéssemos tocar a maior parte dos temas em palco, por serem muito complicados.» 


A primeira digressão dos Queen nos Estados Unidos – em apoio à banda Mott The Hoople – começou a 16 de Abril de 1974 e incluiu seis noites consecutivas no Uris Theatre de Nova Iorque, em Maio. Infelizmente, Brian contraiu hepatite (em resultado de uma vacina em más condições, para os concertos de Janeiro na Austrália), o que obrigou a banda a abandonar a digressão e a regressar desanimada a casa.

​Disc 1
1 - Brighton Rock  (Brian May)
2 - Killer Queen  (Freddie Mercury)
3 - Tenement Funster  (Roger Taylor)
4 - Flick Of The Wrist  (Freddie Mercury)
5 - Lily Of The Valley  (Freddie Mercury)
6 - Now I'm Here  (Brian May)
7 - In The Lap Of The Gods  (Freddie Mercury)
8 - Stone Cold Crazy  (Queen)
9 - Dear Friends  (Brian May)
10 - Misfire  (John Deacon)
11 - Bring Back That Leroy Brown  (Freddie Mercury)
12 - She Makes Me (Storm Trooper in Stilettos)  (Brian May)
13 - In the Lap Of The Gods...revisited  (Freddie Mercury)

​Disc 2
01 - Now I'm Here (Live At Hammersmith Odeon, December 1975)  (Brian May)
02 - Flick of the Wrist (BBC Session, October 1974)  (Freddie Mercury)
03 - Tenement Funster (BBC Session, October 1974)  (Roger Taylor
04 - Bring Back That Leroy Brown (A Cappella Mix 2011)  (Freddie Mercury)
05 - In the Lap of the Gods... Revisited (Live At Wembley Stadium, July 1986)  (Freddie Mercury)

((Queen II (2011 Remaster) (Deluxe Edition)

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