Sobre os Queen          Cronologia          Discografia          Freddie Mercury          Brian May          Roger Taylor          John Deacon

SHEER HEART ATTACK

“O álbum e muito variado. Eu suponho que o levámos ao extremo. Estávamos muito interessados em técnicas de estúdio e queríamos usar o que havia disponível." Freddie Mercury

 

Sheer Heart Attack, o terceiro álbum de estúdio dos Queen, foi gravado entre Julho e Setembro de 1974, em quatro estúdios diferentes em Inglaterra e no País de Gales. Foi produzido pelos Queen e por Roy Thomas Baker, com o sempre fiável Mike Stone como engenheiro de som.

Desviando-se um pouco dos primeiros dois álbuns, Sheer Heart Attack revelou-se muito mais coeso do que os seus antecessores, algo que pode ser atribuído à forma errática como estes tinham sido produzidos. O primeiro, por exemplo, ficou famoso por ter sido gravado em «períodos mortos»: a banda gravou nos estúdios Trident, aos quais só tinha acesso quando não estavam a ser usados por mais ninguém, o que muitas vezes implicava ter de ir a correr para o estúdio e trabalhar a horas absurdas, muito cedo ou extremamente tarde.

Este terceiro álbum, pelo contrário, foi gravado sem estas distrações, permitindo um trabalho robusto e diversificado que incluiu muitos dos clássicos mais venerados da banda. Não foi uma proeza insignificante, tendo em conta que Brian esteve ausente de muitas das sessões de gravação, por ter contraído hepatite durante a digressão norte-americana no início daquele ano. E só conseguiria gravar as suas partes de guitarra e voz numa fase mais avançada. Apesar disso, o processo pouco ortodoxo e, quatro, décadas depois, o álbum continua a ser um favorito entre os fãs, sendo consistentemente votado como um dos cinco melhores álbuns de sempre dos Queen.

Sheer Heart Attack é um trabalho mais orientado para a música pop do que os dois álbuns anteriores, e Killer Queen foi claramente a canção que deu à banda o êxito e a aclamação internacional que Seven Seas Of Rhye nunca atingiria. Brian diria mais tarde: «Por alguma razão inexplicável, tínhamos uma sensação bastante diferente em relação ao Sheer Heart Attack, por causa da forma como fomos forçados a gravá-lo (referindo-se à sua doença). Considerando todos os problemas que tivemos, nenhum de nós ficou muito descontente com o resultado final».

Roger disse na altura: «É o meu álbum preferido. É bastante coeso. Muito mais conciso. Muito variado e dinâmico. Os sons diferentes são agradáveis».

Killer Queen – que daria a Freddie o seu primeiro prémio Ivor Novello – pode ser considerada a canção mais conhecida do álbum, mas a faixa de abertura, Brighton Rock, é arquetípica dos primeiros tempos dos Queen e depressa se tornou um elemento favorito e constante dos concertos ao vivo da banda. Com efeito, pouco tempo depois a música for alargada em concerto para abranger o solo de guitarra ampliado de Brian – momento em que os restantes membros da banda abandonavam o palco para deixar a Red Special e o seu criador sozinhos a deslumbrarem a audiência, ajudados apenas pela iluminação.

Outras faixas menos conhecidas deste terceiro álbum, mas igualmente bem conseguidas, são três escritas por Freddie: Lily Of The Valley (que contém referências ao «Messenger from Seven Seas» e «The Kinf Of Rhye»). In The Lap Of The Gods… Revisited (tocada originalmente como encore em concerto, mas que seria apresentada em palco muito mais tarde na digressão Magic de 1986, uma década mais tarde) e Bring Back That Leroy Brown (com Brian no banjo ukulele).

Neste álbum, surge a primeira composição de John para os Queen, Misfire, bem como Tenement Funster (cantada por Roger e, mais tarde, incluída no primeiro single EP da banda), She Makes Me e Dear Friends, estas duas interpretadas, respectivamente, por Brian e Freddie.

A primeira canção assinada pelos quatro membros, a frenética Stone Cold Crazy, aparece também neste álbum e é uma das primeiras que a banda experimentou nos ensaios e apresentações iniciais. Embora com uma forma bastante diferente, a canção nascera muito antes, no final dos anos 1960, na banda que Freddie integrara antes dos Queen, os Wreckage, e foi totalmente reformulada em 1974.

O álbum Sheer Heart Attack foi lançado a 8 de Novembro de 1974 e alcançou o 2.º lugar no Reino Unido, onde foi Disco de Outro. Seria o primeiro álbum dos Queen a entrar no Top 20 nos Estados Unidos, onde atingiu uma impressionante 12.ª posição (e também Disco de Ouro), e classificou-se bastante bem nas tabelas de outros países.

Tal como no álbum anterior, Queen II, a imagem da capa é uma fotografia tirada por Mick Rock, grande amigo do grupo – o homem de quem se disse que «captara os anos 1970». Para conseguir o visual único, muito particular e, para alguns, «peculiar» que vemos na capa, os membros da banda foram untados com vaselina e, depois, borrifados com água. Seja como for, teve o efeito desejado, pois a capa de Sheer Heart Attack prende a atenção e é, ao mesmo tempo, memorável.

DIGRESSÃO

A tournée de promoção do novo álbum, que esgotou em todas as datas, teve início no Reino Unido a 30 de Outubro de 1974, em Manchester, Inglaterra, e terminou com duas noutros no Rainbow Theatre de Londres, a 19 e 20 de Novembro – o ponto alto da primeira digressão dos Queen pela Grã-Bretanha e dos primeiros grandes concertos no Reino Unido. Estes dois espetáculos foram gravados para o eventual lançamento de um filme e de um álbum ao vivo (que teria sido o primeiro produto ao vivo da banda). Porém, enquanto o filme (realizado por Bruce Gowers) surgiu mais tarde, no início de 1976, em várias salas de cinema do país, em conjunto com o filme Hustler (com Burt Reynolds) e o filme-concerto dos Led Zeppelin, The Song Remains The Same, o álbum ao vivo foi compilado, mas não chegou a ser distribuído na altura. Os concertos só seriam lançados cerca de 40 anos depois, em 2014.

Das treze faixas do álbum Sheer Heart Attack, nada menos que nove surgiram nos espectáculos da época, e algumas, como Killer Queen e Now I’m Here, manter-se-iam por muitos anos.

Após a introdução gravada de Procession (do álbum Queen II), os concertos abriam com a possante Now I’m Here, escrita por Brian no hospital, que voltara a adoecer em Agosto (a meio da gravações), desta vez com uma úlcera duodenal. A canção era inspirada na banda de rock inglesa, Mott The Hoople, cujos membros eram amigos dos Queen, com um Brian algo desanimado a reflectir sobre os seus dias na estrada com os Mott, no ano anterior, e sobre o seu futuro incerto.

Nesta altura, foi introduzido nos concertos um novo medley com músicas do álbum, numa sequência perfeita, que começava com Freddie sentado ao piano. In The Lap Of The Gods, Killer Queen e Bring Back That Leroy Brown juntavam-se The March Of The Black Queen, do álbum anterior, todas exibindo a versatilidade admirável da escrita de Freddie. Brighton Rock, com um solo de guitarra alargado, também constava da lista e manteria o seu lugar durante os 12 anos seguintes, em mais de 500 concertos. A sinistra Flick Of The Wrist – uma proeza lírica escrita por Freddie, muitas vezes esquecida – e Stone Cold Crazy eram também interpretadas, mas não se mantiveram por muito tempo.

In The Lap Of The Gods… Revisited fechava os concertos, antes do encore, e constituía uma oportunidade deliberadamente pensada para que os fãs pudessem cantar, incitados por Freddie com o seu estilo inimitável. Uma versão especial de God Save The Queen passou a fechar os espectáculos e, salvo raras excepções, seria o pano de fundo para a saída de palco da banda em todos os concertos a partir de então.

Perceber quais as canções de Sheer Heart Attack ausentes no palco naquela época é, no mínimo, curioso. A única contribuição de Roger para o álbum, a interessante Tenement Funster, foi esquecida, assim como os temas Lily Of The Valley, Dear Friends, She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos) e Misfire.

E é preciso fazer um apontamento histórico sobre a ritmada canção de Roger, Sheer Heart Attack. Embora originalmente concebida para este álbum, não foi terminada a tempo de ser incluída e, por isso, só surgiu em News Of The World, três álbuns mais tarde, em 1977.

 

OS SINGLES & OS VÍDEOS

O primeiro single de Sheer Heart Attack, lançado a 11 de Outubro de 1974, poucas semanas antes do álbum, foi o primeiro duplo lado A dos Queen. Incluía Killer Queen e Flick Of The Wrist, duas composições de Freddie. Teve um impacto notável, alcançando o 2.º lugar no Reino Unido e oferecendo à banda o seu segundo single no top 10 do ano. Nos Estados Unidos, foram lançadas as mesmas duas faixas, mas a editora decidiu dar mais destaque ao tema Killer Queen no lado A, remetendo Flick Of The Wrist para o lado B. A decisão revelar-se-ia acertada, uma vez que o single alcançou uma respeitável 12.ª posição, tendo dado à banda o seu primeiro êxito americano. Killer Queen registou um enorme sucesso em todo o mundo, mas, tal como acontecera com Seven Seas Of Rhye, não foi acompanhada por um vídeo promocional, já que este conceito ainda não existia propriamente: este marco particular aconteceria em 1975, com Bruce Gowers e o seu lendário vídeo para Bohemian Rhapsody.

Roger: «O nosso primeiro grande êxito internacional foi Killer Queen, uma canção que nos levou literalmente uma eternidade a construir. E acho que se nota. Ainda soa bem hoje em dia. Está bem tocada, soa bem, tem uma boa harmonia de vozes e uma letra muito original. Acho que funciona bem

O lançamento do single Killer Queen foi recebido com críticas entusiásticas. A mais conhecida publicação britânica semanal sobre música, a revista NME, deu voz ao consenso geral «Os Queen criaram um som que provará que eles não são uma banda qualquer de um só êxito».

Killer Queen não teve vídeo promocional, mas a banda fez várias actuações televisivas no programa «Top Of The Pops», no Reino Unido, e uma na Holanda para um programa chamado «Top Pop».

O single seguinte, Now I’m Here (acompanhado de Lily Of The Valley) foi lançado a 17 de Janeiro de 1975, embora a editora norte-americana tenha optado por uma reedição de Keep Yourself Alive, juntamente com Lily Of The Valley e God Save The Queen, em Julho desse ano. Now I’m Here subiu ao 11.º lugar no Reino Unido, ajudado pelas rádios e por algumas aparições televisivas em Inglaterra, incluindo duas actuações no «Top Of The Pops», raramente vistas. Infelizmente, as cassetes já não existem, tal como muitos outros tesouros do canal de televisão da BBC daquela época.

​Disc 1
1 - Brighton Rock  (Brian May)
2 - Killer Queen  (Freddie Mercury)
3 - Tenement Funster  (Roger Taylor)
4 - Flick Of The Wrist  (Freddie Mercury)
5 - Lily Of The Valley  (Freddie Mercury)
6 - Now I'm Here  (Brian May)
7 - In The Lap Of The Gods  (Freddie Mercury)
8 - Stone Cold Crazy  (Queen)
9 - Dear Friends  (Brian May)
10 - Misfire  (John Deacon)
11 - Bring Back That Leroy Brown  (Freddie Mercury)
12 - She Makes Me (Storm Trooper in Stilettos)  (Brian May)
13 - In the Lap Of The Gods...revisited  (Freddie Mercury)

​Disc 2
01 - Now I'm Here (Live At Hammersmith Odeon, December 1975)  (Brian May)
02 - Flick of the Wrist (BBC Session, October 1974)  (Freddie Mercury)
03 - Tenement Funster (BBC Session, October 1974)  (Roger Taylor
04 - Bring Back That Leroy Brown (A Cappella Mix 2011)  (Freddie Mercury)
05 - In the Lap of the Gods... Revisited (Live At Wembley Stadium, July 1986)  (Freddie Mercury)

(Sheer Heart Attack (2011 Remaster) (Deluxe Edition))

Queen Portugal

© 2011 - 2020 - Queen Portugal - Portal da Comunidade de Fãs Portugueses dos Queen