Entrevista com Alírio Netto Alírio


Alírio, primeiro que tudo os nossos parabéns por teres sido escolhido como o novo vocalista dos Queen Extravaganza. É um orgulho ter um músico brasileiro na banda oficial de Tributo dos Queen. Como e quando começou a tua iniciação musical e o teu interesse na música? Fala um pouco também, da sua carreira profissional. Comecei a minha carreira aos 15 anos, a cantar em bandas de rock na cidade de Florianópolis, mas o interesse pela música começou aos 8 anos, quando vi o concerto dos Queen no primeiro Rock in Rio pela televisão. Ver o Freddie a fazer com que 400mil pessoas cantassem Love Of My Life, foi algo incrível. Nesse momento, percebi o que queria da minha vida, foi Freddie que acendeu essa chama dentro de mim e fez com que chegasse aqui. Devo tudo a ele, foi o meu mestre. Eu tenho 5 CDs com as bandas Khallice, Lince e Age of Artemims, todos lançados pelo mundo fora. Com essas bandas, tive o prazer de partilhar o palco com Guns N Roses, Iron Maiden e outras bandas e artistas mundialmente reconhecidos. Já fui a festivais como o Rock In Rio, por exemplo. No ano passado, lancei a solo um CD de nome “João de Deus” e já tive algumas participações em álbuns de outras bandas, como os Angra. Actualmente sou artista no Som Livre, através da Art Entertainement. Já devo ter cerca de 70 canções gravadas. Sabemos que eras um professor de canto e de teatro musical, o que gosta de ver num aluno? Seja a representar num musical ou numa carreira a solo. Sou professor de canto há 17 anos, estudei muitas técnicas vocais durante toda a minha vida e preparei-me imenso para a minha carreira. Dei, e ainda dou, aulas de canto. Estudei música também, toco piano e também componho. Tenho muitos alunos a fazer carreira em teatro e em música no geral, e é gratificante vê-los a conquistarem o seu próprio espaço. Consegue encontrar o tempo para se dedicar a compor? Compor foi uma das coisas que os Queen acordaram dentro de mim. Eu queria mostrar a minha arte através da minha própria música, dar voz ao que sou e me tornei. Isso faz-te conquistar o teu próprio espaço e ser lembrado pelo que és. Já marcaste presença em dois grandes musicais. Qual a diferença entre eles? Estes musicais são como franchises e já estive em 3 deles. Tive o papel de Jesus na versão mexicana de Jesus Christ Superstar, já fiz de Judas na versão brasileira do mesmo musical, um papel pelo qual ganhei alguns prémios e reconhecimento na imprensa e no publico em geral. E por último, já tive um papel no musical mais gratificante de todos, que foi o papel de Galileo na versão brasileira de We Will Rock You. Os Queen sempre estiveram nos momentos mais marcantes da minha vida. Todos os testes que tive que fazer, as músicas dos Queen nunca me abandonaram. Em We Will Rock You, os Queen deram-me algo ainda mais incrível… A minha mulher Livia Dabarian, que tinha o papel de Scaramouche. A diferença entre os musicais é que como actor, aprendes que te deves entregar à personagem, cada uma é como um filho e ter contacto com o teatro tornou-me um artista mais completo. Qual foi o seu primeiro contacto com a música dos Queen e o ela significa para si? A primeira fez que ouvi Queen foi no primeiro Rock In Rio, pela televisão. Eu era tão maluco que roubava os álbuns de Queen da colecção da minha mãe. Os Queen não são só a minha banda preferida, mas são sagrados para mim. Freddie é incomparável e a força das suas músicas ecoa no meu coração com uma verdade tão profunda que fico sempre excitado. Estas músicas fizeram de mim e artista que sou hoje e tenho que agradecer aos Queen por isso. Qual o seu álbum ou música preferida e porquê? Eu gosto de todas as fases da banda, por isso a minha música preferida muda com o tempo, mas Who Wants To Live Forever é especial por causa do dueto romântico entre Galileo e Scaramouche. Eu lembro-me de um dia, quando Brian enviou-nos um email a explicar o significado da música, nós chorámos o resto do dia, foi muito excitante. Para além dos Queen, que outras bandas de Rock N Roll gosta? Eu gosto de música que tenha uma textura interessante, para além das melodias. Eu gosto de Journey, U2, Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, Sting, Guns, Seal, Michael Jackson, Toto, Dream Theatre, Van Halen, Chris Cornell, enfim, gosto de muitas coisas diferentes. O convite para integrar os QuEx veio de onde? Como é que foi conduzido o processo? Como é que se entra nos Queen Extravaganza? Como é que te sentes? Eu senti-me muito comovido e tanto eu como a minha mulher chorámos quando nos apercebemos do que ia acontecer. Eu sei que a minha responsabilidade é enorme e como sou uma pessoa muito focada, já estou a preparar-me fisicamente, vocalmente e mentalmente para esta tour. Vou dar a minha alma por esta banda e prometo fazer o meu melhor para entregar estas músicas da maneira que o público merece. O legado dos Queen merece todo o respeito e dedicação de um artista que tem o privilégio de fazer parte de um projecto desta magnitude. Quando começam os ensaios dos QuEx? Penso que começamos em Agosto ou talvez um pouco mais cedo. Ainda não tenho todas as datas, mas quando me quiserem, estarei lá. Existe a possibilidade de a banda ir ao Brasil, agora que o vocalista é brasileiro? Eu acredito que sim, já recebi várias mensagens. Mas penso que a acontecer, será para o ano. Terás uma grande responsabilidade em substituir o Marc Martel nos QuEx. O que pensas do músico canadiano? Estás preparado para ser comparado a ele e a Freddie Mercury? O Marc é incrível. Ele tem uma voz linda e merece todo o meu reconhecimento e respeito. Freddie não tem comparação. Eu sei que há pessoas que vão gostar e outras que não, sobre isso não tenho controlo algum, mas só me posso preocupar com o que consigo controlar e isso é dar o meu corpo e alma à banda. O que pensas de Adam Lambert nos Queen? E de Paul Rodgers? Para ti, quem seria o vocalista ideal para os Queen?


Quem quer que cante músicas dos Queen e não seja Freddie, está destinado a sofrer as consequências dos seus actos! Adam é um artista completo e versátil, um cantor que tem um controlo total da voz, que é necessário para cantar estas músicas. Eu acho que é o mais apropriado para cantar as músicas dos Queen e dar-lhes a essência que merecem. Paul Rodgers é mais uma personalidade do rock. Ele canta de uma maneira mais blues e isso faz com que as músicas pareçam dele. Ele é um artista muito inteligente em perceber isto e não tentar ser uma coisa que não é. Muitas das versões que ele cantou, fizeram-me cantar as músicas dos Queen de maneira diferente, arriscar mais. Mas vejo o Adam como mais apropriado para a tarefa.


Recentemente, estiveste em Londres a ver Queen + Adam Lambert. Como fã, como te sentiste a ver Brian e Roger com Adam ao vivo?


O concerto foi incrível e eles foram uns cavalheiros o tempo todo. A tour deles é maravilhosa. O concerto teve muita energia e todos estiveram no seu melhor. Foi a noite perfeita.


Quais são os seus projectos para 2018, para além dos Queen Extravaganza?


Eu tenho programada a gravação do meu DVD a 24 de Abril no teatro de Porto Seguro em São Paulo, com performances especiais com os Angra, com a Livia Dabarian e o vocalista dos Dream Theatre James Labrie, seguida de uma tour pelo Brasil entre Abril e Junho. Em Julho, vou participar no espectáculo opera-rock Frankestein em Florianopolis com a orquestra Camerata, que já acompanhou Steve Vai no Rock In Rio. E depois a tour com os QuEx.


Uma mensagem para os fãs dos Queen.


Primeiro que tudo, gostaria de agradecer o convite para esta entrevista, agradecer a todos os fãs de Queen que amam a banda e a todos os que estão comigo nesta nova fase. Gostaria de convidar todos para virem aos concertos, seja no Brasil ou noutro país. Seria uma honra ter os fãs brasileiros a meu lado.


Entrevista conduzida por Alba Cassia, com Ana Paula Tatarunas e Ivy Tavares (Freddie For A Day Brasil) Fonte: Queen OnLine

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