Uma opinião sobre a parceria Queen + Paul Rodgers

3 Feb 2019

Em cada tema, cada fã tem a sua opinião, e como espaço plural que somos, vamos mostrar a opinião do nosso colaborador John Aguiar sobre a parceria Queen + Paul Rodgers, que é totalmente contrária à da nossa administração, que retira da colaboração com Paul algo muito interessante, com conteúdos muitos bons, e que pela primeira vez trouxe a Portugal os nossos heróis.
 

Paul Rodgers é um vocalista com uma vasta carreira musical que vem desde finais da década de 60. Destacou-se inicialmente, até inícios dos 70’s, com a banda Free, numa mistura entre rock e blues, ajudando a banda a ser uma das mais relevantes do panorama musical inglês durante a sua curta carreira. O hit “All Right Now” é dessa época. Pelos 70s, depois de encerrar as actividades com a sua primeira banda, Rodgers ajudou a fundar os Bad Company (um dos elementos da banda era um dos guitarristas dos Mott The Hoople, fulcrais no início carreira dos Queen), coleccionando também alguns hits de algum destaque. Nos 80’s e 90’s, entre aventuras a solo e noutras bandas menores, manteve uma produtividade constante. 


Surge-me este tema hoje por ter lido as palavras de Rodgers a uma rádio americana. Long story short, em 2004 surge a oportunidade deste se juntar aos Queen e o resto é uma história com capítulos interessantes. Não vou fazer o descritivo da carreira dele “connosco”, é conhecida. Optarei antes por falar da referida entrevista. Rodgers apelidou o tempo nos Queen como uma aventura louca, saída do nada, mas encarada como um enorme desafio, em que o próprio tinha de se colocar a teste, a ver se conseguia. Não se acobardar perante tamanha tarefa. E a verdade é que os Queen voltaram às tours e ao estúdio com Rodgers. E com relativo sucesso. De destacar ainda a postura do vocalista, ao referir, na dita entrevista, que ainda hoje é amigo de Brian e Roger e que “love the guys”. Brian May, noutra ocasião, havia referido também que o tempo com Paul Rodgers, com quem se divertiram à grande, foi mesmo uma grande experiência, mas que Lambert é mais a cena Queen. 


Pessoalmente, tenho de concordar com Brian May, que havia referido que Rodgers levou a banda a novos territórios. Mais bluesy. Eu estive em Belém em 2005 e foram de facto uns Queen diferentes… Não irei dar uma apreciação ao concerto em si, mas notou-se que a banda estava a explorar novas sonoridades. Uns Queen adaptados aquilo com Rodgers (que é um excelente cantor) tinha para oferecer. Admito que talvez Brian e Roger quisessem também fazer coisas diferentes com o catálogo dos Queen. Não vou dizer que está certo ou errado, pois Bri e Rog têm legitimidade para tudo (e não estão a desrespeitar Freddie no que concerne ao aborrecimento do seu legado). Apenas, desculpem… Não eram os meus Queen. Foi giro ver Brian May e Roger Taylor ao perto (e que falta me fez Deacon), mas não eram os meus… Mas de facto, foi giro vê-los ali, ao vivo. Foi óptimo perceber a vontade, depois de 20 anos sem levarem Queen a concerto, daqueles dois imponentes dinossauros em fazer música para milhões de fãs. Em ser aquilo que sempre foram: dedicados a nós! E nisso foram insuperáveis. Mas a música não era a mesma e o sabor, no fim, demasiado agridoce. 

 

Cosmos Rocks. Epah, sem rodeios. Detesto! É uma mancha no CV dos Queen. Não consigo engrenar na cena do facto de ter o nome Queen ser suficiente para gostar… Foi, a meu ver, um erro grande fazer um disco com Rodgers. Lá está… May e Taylor sentiram-se legitimados para tal, nada contra. É como digo, respeito-os, é a vida deles. Mas como fã… caramba! Que gaffe… Rock fanhoso e fácil, sem qualquer daquela centelha da nossa grandeza. Admito, ouvi o disco uma vez, logo quando saiu, e nunca mais lhe toquei. Letras fáceis… Rápidas demais. Aquela coisa muito “nós somos velhos, mas somos bué rock n’ rol”. Sem aquele “tongue in cheek” que são os Queen. Aquela provocação. Rodgers dá o máximo das suas características. E leva a nossa música a novos territórios… Mas são territórios difíceis para nós. Diferentes. Demasiado fora. 

 

O stint de Paul Rodgers connosco foi, convenhamos, um bálsamo para todos nós. Há anos que não sabíamos o que era Queen em palco. Eu nunca sequer havia visto May e Taylor ao vivo. Sim, foi um registo diferente, porque encarámos o facto de Freddie ser inimitável e que qualquer coisa serviria desde que tivéssemos mais Queen. Mas… não é assim. E não é a minha praia. Sou muito “Deacon” nestas coisas ficam a saber. Sim, May e Taylor, não me canso, estão plenamente legitimados. É a vida deles, caramba! Respeito-os à brava. Mas não foi mesmo para mim aquele período… E ainda hoje não lido bem com o facto, sobretudo, de existir um álbum chamado Cosmos Rocks com o nome Queen… Mesmo que com Paul Rodgers. 


 

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