Neste dia os Queen lançavam Bohemian Rhapsody



Foi no dia 31 de Outubro de 1975 que os Queen lançavam a imortal Bohemian Rhapsody, I’m In Love With My Car a figurara no lado B.


Aproveitemos a efeméride para recordamos Freddie Mercury sobre Bohemian Rhapsody: "Bohemian Rhapsody era algo que queria fazer há muito tempo. Não foi uma coisa em que tivesse pensado muito nos álbuns anteriores, mas senti que o faria quando chegasse ao quarto álbum. Foi preciso pensar bastante, não saiu da nada. Algumas canções precisam desse tipo de estilo pomposo. Tive de trabalhar como um louco. Eu queria mesmo aquele tipo de canção e fiz alguma pesquisa. Embora fosse um pouco irónica e uma falsa ópera, eu queria que continuasse a ser uma coisa muito Queen.


Estou muito satisfeito com aquele estilo operático. Queria que a parte vocal fosse extravagante, porque estamos sempre a ser comparados com outras pessoas, o que é muito estúpido. Se se ouvir com atenção a parte operática, não há comparações possíveis, que é o que nós queríamos.


A maior parte estava na minha cabeça, mas houve momentos em que nem eu sabia o que estava a acontecer – como quase no final, quando algumas coisas iam acontecendo de forma espontânea. Quem é que sabe como uma canção vai terminar? Temos algo em mente, mas, quando se entra em estúdio e se trabalha durante dias a fio, as coisas mudam.


Muitas pessoas criticam duramente Bohemian Rhapsody, mas com o que é que ela pode ser comparada? Digam-me o nome de um grupo que tenha feito um single operático. Não me lembro de nenhum. Mas nós não o gravámos por pensarmos que seríamos o único grupo a fazê-lo; simplesmente aconteceu. Rhapsody pertence a uma época – foi uma música do seu tempo. Era o tempo certo para aquela faixa. Para ser franco, se a lançássemos hoje, não creio que tivesse sido um êxito tão grande. Não estou a ser modesto, nada disso; naquela época, havia o sentimento certo para aquele tipo de gravação majestosa.


O fator de risco era muito elevado. De início, os rádios não gostaram, porque a canção era muito longa e as editoras disseram que não podiam comercializá-la daquela forma. Depois de eu ter praticamente juntado as três músicas, queriam que eu as separasse de novo. Conseguem imaginar? Os seis minutos de duração podiam significar que as rádios se recusariam a passá-la. As pessoas diziam: «Vocês estão a brincar. Eles nunca vão pô-la no ar. Vamos ouvir apenas os primeiros compassos e depois cortam-na». Tivemos várias discussões. A EMI ficou chocada… «Um single de seis minutos? Estão a brincar!», disseram. Mas resultou, e eu estou muito feliz.


​Falou-se muito de reduzirmos para uma duração de reprodução razoável para a rádio, mas nós estávamos convencidos de que seria um sucesso na sua totalidade. Já fomos forçados a fazer concessões, mas cortar uma música nunca será uma delas. Porquê fazê-lo se isso seria em detrimento da música? Eles queriam cortar três minutos, mas eu disse «Nem pensar! Ou sai na totalidade, ou não sai. Ou fica como é, ou esqueçam!». Ou seria um enorme fracasso ou as pessoas iriam ouvi-la e comprá-la, e então seria um êxito. Felizmente, foi um sucesso. Mas isso não significa que tivemos sempre razão, porque não foi assim. Podia ter acontecido exatamente o contrário.


O single vendeu mais de 1 milhão e 250 mil cópias só na Grã-Bretanha, o que é simplesmente espantoso. Imagine todas as avós a dançarem ao som dele!"


O vídeo que acompanha o single tem também subjacente uma história interessante. À beira de uma digressão de 26 concertos pelo Reino Unido, os Queen não puderam promover o single e, em vez disso, decidiram criar um filme da canção. A gravação, hoje universalmente conhecida, foi feita nos Elstree Studios, em Novembro de 1975. Demorou apenas dois dias a ser concluída e custou menos de 4000 libras. Fazendo eco, desde a sequência de abertura, do icónico retrato de grupo Mick Rock que foi capa do álbum Queen II, e com figurinos projectados pela designer britânica Zandra Rhodes, esta extravagância de Bruce Gowes/Queen abriu portas a um novo género de promoção de discos: o videoclipe.

Em Dezembro de 1991, um mês depois do trágico desaparecimento de Freddie, o single Bohemian Rhapsody foi de novo lançado para ajudar a instituição The Terrence Higgins Trust e como tributo ao seu criador. Foi um single de duplo lado A acompanhado de These Are Days Of Our Lives (do álbum Innuendo). Poucos ficaram surpreendidos quando o disco subiu novamente a número 1 em todo o mundo, tornando-se, desta forma, a primeira gravação da história a alcançar o 1.º lugar em duas ocasiões diferentes.


Em 2018 Bohemian Rhapsody dava nome à cinebiografia dos Queen, o filme é uma crónica dos anos que precedem à criação da banda e conta a história desde os primórdios do grupo, até ao Live Aid em 1985. Bohemian Rhapsody um enorme sucesso de bilheteria, com um orçamento de produção a rondar os 50 milhões de dólares, Bohemian Rhapsody arrecadou mais de 903 milhões de dólares em todo o planeta, o que lhe valeu a sexta maior bilheteria de 2018. O filme dos Queen ganhou diversos prémios, de onde se destacam os quatro Óscares nas categorias de melhor ator (Rami Malek), melhor edição de imagem, melhor edição de som e melhor mixagem de som, a película foi igualmente indicada para melhor filme.