Face It Alone - Review


Há quanto tempo não sentiam o frissom de hoje? Aquele arrepio… É verdade que em Queen Forever houve música nova… Também não deixa de ser verdade que os fãs mais “profissionais” dos Queen já conheciam bocados deste Face It Alone. Mas hoje… Houve algo de diferente. Diferente de Queen Forever e de surpreendente diferente em relação ao que conhecíamos.


Hoje houve a sensação de que os Queen voltaram! E desde os primeiros acordes são os Queen a regressar à vida… E foi uma pedrada no charco, não foi? Um arrepio, um frio, como há muito não sentiam…


Por partes: estabelecendo comparações com as últimas faixas novas dos Queen: There Must Be More to Life Than This, Love Kills e Let Me in Your Heart Again. Face It Alone é bem superior. Ponto! Queen é sempre Queen, é certo, mas o material não encerrava em si algo de novo ou com verdadeiro sabor a material novo dos Queen. Não deixou pegada forte, se quisermos… Face It Alone não. É 110% material Queen do período 88-95 (gravações de The Miracle até ao lançamento de Made In Heaven). Soa a Queen nessa fase. Sente-se Queen… Todo o requinte, classe, trabalho de conjunto dessa fase está presente nesta faixa. Em qualquer um dos álbuns do período citado havia espaço para este Face It Alone. Parece que foi toda gravada nessa altura, masterizada e terminada mas… oops, ficou na gaveta.


A letra: Soa a Freddie do princípio ao fim. As lutas interiores… Os seus dilemas… Sofrimentos… Tematicamente, é próxima das suas melhores baladas, como It’s A Hard Life ou Somebody To Love. É, sem dúvida, a melhor faceta da música. É uma letra fenomenal, do melhor produzido no período em causa. É uma balada, mas sem ser "chorona". É de coragem. De olhar em frente.. Your life is your own, You're in charge of yourself, Master of your home.


A música: como disse, soa a Queen do seu terceiro período (dividindo Queen anos 70, Queen 80-86 e 88 a 95). A dúvida se a linha de baixo é de John Deacon ou se foi trabalhada/completada em estúdio por outro baixista. Dizemos, sim, é. Ouçam os baixos daqueles lados B desse período e mesmo de, por exemplo, Lost Opportunity, Scandal (a imagem do single será inocente?), I'm Going Slightly Mad ou Breakthru… O "boom boom" é o mesmo. Não há dúvidas… E o ponto alto: o solo a partir do minuto e quarenta segundos… É delicioso. Se tivesse um defeito a apontar, talvez falte mais um bocadinho deste solo mais à frente, repeti-lo, ali na marca dos 3m:10s… Só isso.


A voz de Freddie: Límpida. Obviamente que há aqui trabalho de fundo dos engenheiros de som. Mas e então? A base estava lá e polida, a voz de Freddie, ao contrário de, lá está, das faixas de Queen Forever, está “viva”. Cristalina. Parece gravada em 2018, não em 1988… Parece o belíssimo trabalho feito com Time Waits For No One, que está tão fresco. Tão vivo… A vida desta música, apesar da qualidade do resto, começa e acaba na voz do Freddie que dá uma interpretação arrepiante. Mesmo sabendo que isto são “sobras” do The Miracle, Freddie dizia que ou a música era agarrada logo ou não valia a pena. Se calhar aqui ela não o foi logo, mas não quer dizer que a interpretação fosse má. E a entrega dele é no ponto. Dá arrepios.


Em conclusão: ouvida que foi várias vezes, é unânime: Face It Alone merece ser um hit! Esperamos que o seja. Daqueles para entrar obrigatoriamente nas compilações de Greatest Hits! É surpreendentemente viva. Parece mesmo que estão os 4 de novo… Ali, cheios de gana. É pulsante… É pujante… É Queen no seu melhor. Temíamos sempre o que vinha aí, claro. Se era do nível… Mas, sem dúvida, as expetativas foram superadas!



Review por: John Aguiar