Relato: «The Greatest Queen Symphonic, visto da fila H do "Rosa Mota"» por John Aguiar


Era uma noite fria de novembro na cidade do Porto, mas que prometia aquecer com a subida a palco da The Greatest Queen Symphonic, a homenagem sinfónica à obra dos Queen, constituída pela Orquestra Nacional de Jovens Sinfónica e a Mercury Falls Band a quem se juntaram 6 coros diferentes.


O início estava previsto para as 22, mas a mais de uma hora do início do concerto já o ambiente começava a fervilhar nas imediações do Pavilhão Rosa Mota. Estrangeiros e portugueses menos habituados àquele espaço perguntavam-se pela porta de entrada. Ponto comum: indumentária e amor pelos Queen. E notava-se aquele sorriso estampado de quem sabe que vai ser feliz…


As gentes iam-se acumulando e conversava-se à boca pequena quando as portas se abriram. A receber as pessoas, o Queen Portugal com uma rica exposição de artigos cedidos pelos fãs que os menos militantes da banda apreciaram certamente (de tal modo que muitos pensavam que estavam à venda). Antes da música “rolar”, momentos para a família Queen do nosso país se abraçar e conviver, agora a Norte.

Pouco depois das 22, começa então o “exército” em palco comandado pelo Gen. Maestro Cristiano Silva a fazer a sua marcha. O alinhamento foi o esperado, os maiores êxitos da banda, sendo que as faixas mais inesperadas foram, talvez, Barcelona (que belíssima interpretação) e a intimista Is This The World We Created ...?. Os músicos e vocalistas entregaram-se às performances com uma paixão fantástica, que rapidamente contagiou um pavilhão bem composto. A simbiose entre quem estava em palco e a assistência foi constante, com os últimos a responderem sempre aos reptos de quem estava lá em cima.

Com um alinhamento de hits totalmente frenético, o público, desde os fãs inveterados aos menos partidários dos Queen, vibrou. E muito. Notou-se felicidade na cara das pessoas. Aquela alegria de quem está a ver, a sentir, a ouvir e a viver as músicas já ouvidas tanta vez, mas que são uma espécie de banda sonora de uma vida… E um constante bálsamo. E agora ao vivo! As sensações que tive, ao olhar em redor, foram as mesmas que tive quando vi o Bohemian Rhapsody no cinema. Felicidade. Ninguém foi criticar o som… A acústica… as roupas… Foram viver, experienciar Queen! A música. Tal como no filme, ninguém quis saber do argumento ou da veracidade de todos os factos. Foram viver a música. Esquecer o resto… E neste concerto foi o mesmo! Cantou-se, bateram-se palmas, sorriu-se muito e viveu-se muito o momento. E depois? Bom, depois, tal como Freddie sempre preconizou, as pessoas foram felizes para casa. Não se mudou o mundo, mas foram felizes com aquele bocado que passaram. E afinal os Queen não servem para isso? Para nos tornar um pouco mais felizes? E se assim é, o espectáculo do passado sábado foi fidelíssimo ao legado da banda…