The Queen Portuguese Brigade at Bournemouth


(fotografia de Rock Star Images)


Tal como prometido deixamos através do Miguel e da Patrícia o relato sobre o concerto do nosso Roger Taylor em Bournemouth no passado dia 12 de Outubro.


Desde o momento em que o nosso Roger Taylor anunciou o seu regresso a solo, passados vinte e dois anos, ficou claro entre nós que esta seria uma oportunidade única de vermos história.


A tour foi anunciada, com quatorze datas intimistas pelo Reino Unido, tempo então de fazer passaporte, afinal já vivemos nos tempos de Brexit.


Escolhemos o concerto no antigo Grande Teatro Boscombe, actual O2 Academy em Bournemouth, uma simpática cidade situada no Sul de Inglaterra. Já com o passaporte na mão, foi necessário cumprir toda a “logística covid” que estes tempos impõe. A missão era ver o nosso Roger e fazer-lhe chegar uma carta do Queen Portugal e uns desenhos do virtuoso Nenu.

Iniciámos a nossa estadia em Terras de sua Majestade com um primeiro dia em Londres, guiados pelo simpático e sempre prestável Nuno Custódio. Podemos explorar a rica história dos Queen na capital Inglesa, com uma passagem obrigatória pelo n.º 57 da Carnaby Street, seguiu-se um dia passado em Bournemouth a carregar energias para a grande noite onde fomos orgulhosamente apelidados pelo simpático Craig Gray de “The Queen Portuguese Brigade”. Deverão perguntar-se quem é o Craig, bom este nosso amigo foi fundamental no cumprimento de parte da nossa missão, mas já lá vamos…


Dia 12 de Outubro, 6h da manhã e com uns gélidos 3º graus assim começou o nosso dia num dos cafés da simpática Comunidade Portuguesa em Bournemouth, acompanhamos novamente pelo Nuno que ficaria connosco até ao fim desta jornada…


De cachecóis do Queen Portugal ao peito, tempo de seguirmos para a O2 Academy, que ficava a poucos metros, fomos os primeiros a chegar, tendo até surpreendido o Staff da O2 que chegou a questionamos se tínhamos a certeza de querer ficar ali, pois as portas só iriam abrir dali a 12 horas.

Brincámos com a situação, afirmando que queríamos garantir que a frente palco era nossa, afinal viemos de Portugal, e não iriamos deixar escapar a oportunidade única de ver um dos nossos ídolos em primeira fila numa sala de apenas 1800 lugares.


Passadas cerca de duas horas chegou a afável Rebecah, vinda de Londres, uma Fã inglesa dos Queen que já viu todos os concertos da banda com Adam Lambert na capital Inglesa, e não só esta nossa companheira de fila assistiu à histórica reunião dos The Cross em 2013 na cidade de Guildford, não lhe faltando no currículo concertos da SAS Band – banda do nosso querido Spike Edney. Eram cerca das 12h00 quando surge quinta pessoa à fila, Claire que nos deixou todos roídos de inveja depois de nos contar ter estado presente na Magic Tour e no lendário Tributo ao Freddie.


Lembram-se do Craig Gray? O seu irmão, Jordan Gray, estava a trabalhar na O2 Academy, e com grande simpatia efetuou todas as diligências necessárias para que fosse possível fazermos chegar a carta do Queen Portugal ao Roger, acompanhada pelos desenhos do Nenu que o Nuno consegui imprimir de forma brilhante em tela.

(desenho de: Nenu)


A felicidade foi imediata, acompanhada pela chegada de mais reforços portugueses, Leonel e a sua filha Iris juntaram-se a nós fechando assim a The Queen Portuguese Brigade.


Com a hora do concerto a aproximar-se rapidamente, e o nervosismo aumentava na mesma medida, não havia cansaço apesar das horas espera!


Revista feita, certificado de vacinação apresentado, bilhetes validados, eis o momento tão esperado, era a hora de entrar na O2 Academy, a primeira fila estava à nossa espera, à espera da The Queen Portuguese Brigade and Friends. As grandes eram nossas, tempo de pendurar a bandeira do Queen Portugal, o nosso modo de demonstrar que os fãs portugueses da melhor banda de sempre estavam ali representados.

Inicia-se então a primeira parte, com o talentoso Colin Macleod e as suas guitarras, um excelente aquecimento para o que estaria por vir. Tentamos dar o melhor nas palmas, com Colin inclusivamente a questionar o publico se queríamos ir com ele para o resto da digressão.

Eram 21:00h (pontualidade britânica) quando as luzes se apagaram, e começa a tocar Hoppípolla tema dos Sigur Rós que serviu de Intro, depois vemos Spike Edney e Tina Hizon aproximarem-se dos seus teclados, Christian Mendoza surgir com a sua guitarra, Neil Fairclough com o seu baixo e Tyler Warren ocupar o seu lugar na bateria.


Iniciam-se os primeiros acordes de Strange Frontier e por entre gritos eufóricos e lágrimas vemos Roger Taylor, com os seus óculos escuros, surgir e ocupar o seu lugar no microfone mesmo à nossa frente. Terminado o tema Roger dirige-se à plateia afirmando que irá tocar alguns temas novos e revisitar outros clássicos.

Seguiu-se assim uma viagem aos anos 70 com a clássica Tenement Funster interpretada tão brilhantemente que chegamos a esquecer-nos por momentos que o nosso Roger já tem 72 anos.

Em seguida surge a emotiva We’re All Just Trying to Get By, o primeiro tema dos seis temas do novo álbum interpretados ao longo da noite. Após a energética e irónica A Nation of Haircuts, chegou um dos momentos mais emotivos da noite com These are the Days of Our Lives, onde ninguém conseguiu conter as lágrimas. A surpreendente Up marca a primeira subida de Roger à sua bateria, enquanto que Gangsters Are Running This World surge como o segundo tema de Outsider da noite.


Como seria de esperar A Kind of Magic, foi mais um dos pontos altos da noite, muito se saltou na O2 Academy ao som deste clássico tema dos Queen, depois nova incursão em Outsider através da balada Absolutely Anything, ali notavelmente interpretada.


Se em Up já tínhamos assistido aos dotes de percussão de Tina Hizon, Surrender foi o momento para testemunhar os seus dotes vocais, mais um grande momento de um tema que aborda a temática da violência doméstica.


Sem darmos conta, com todo o entusiamo vivido, a noite estava a meio, e eis que soam as insuperáveis harmonias de Man On Fire, tema de grande sucesso da carreira a solo do nosso Roger, a energia manteve-se em alto e o simpático Christian Mendoza brilhou com um grande solo de guitarra. Aliás importante será dizer que Christian muito interagiu connosco lá na frente, tendo ele ao longo do dia através do seu Instagram partilhado os conteúdos onde o fomos identificando.


Entretanto chegou o momento do nosso Roger, acompanhado por Spike, fazer uma pequena pausa, deixando Tyler Warren com a responsabilidade de interpar Rock It, o eterno hino ao Rock ‘n’ Roll pertencente a The Game, álbum dos Queen de 1980. Aqui podemos ver o porquê de Tyler ser um brilhante artista, deixando todos boquiabertos com o seu poder vocal, nunca afetado pela sua performance excecional na bateria.


O poder vocal de Tyler ficou uma vez demostrado na música seguinte, Under Pressure marcou o regresso a palco de Roger e Spike pois claro, este clássico dos Queen não deixou ninguém indiferente na O2 Academy, onde as harmonias vocais voltaram igualmente a brilhar. A emoção e as lágrimas voltaram ao antigo Grande Teatro Boscombe, com Roger brilhantemente a interpretar a sua Say It's Not True.


Depois das lágrimas, eis que surge um dos momentos mais engraçados da noite, onde podemos constatar o grande sentido de humor de Roger, apresentando I'm in Love With My Car como “aquele tema com que implicaram em Bohemian Rhapsody” o filme que com grande sentido do humor Roger afirmou ter ganho “quatro óscares e mais umas coisas…” . Depois da gargalhada geral, o nosso grupo soltou um “Roger, Portugal Loves U!”, ao qual Roger pela proximidade reagiu afirmativamente acompanhado de um grande sorriso na nossa direcção… a noite estava ganha!


Outsider tema homónimo do novo álbum foi mais uma das baladas da noite, à qual se seguiu More Kicks, num verdadeiro festival de percussão, que não deixou ninguém indiferente o mote ideal para a Drum Battle que seguiu com Taylor e Tyler a arrebatar toda a audiência.


A noite não estaria completa sem Foreign Sand, balada original do álbum Happiness, que foi reeditada em Outsider, numa versão mais simples, mas que reforçou toda a sua emoção, lagrimas uma vez mais pois claro…


Era então tempo de Roger apresentar a sua banda, e aqui uma vez mais tivemos prova do seu grande sentido de humor, dizendo que Tyler Warren tocava tudo e que inclusivamente lhe havia roubado o instrumento, haveria mais bom humor quendo Roger se referiu a Spike como sendo o seu “Medical Director” em vez de “Musical Director”, com o qual trabalhava “há mais de cem anos!”.


A energia voltaria a estar em alta ao ouvir-se os primeiros acordes de Radio Ga Ga, sempre acompanhada pelas míticas palmas de praxe que toda a O2 Academy cumprir religiosamente, um momento para sempre recordar. Quase sem darmos conta tínhamos chegado ao final do concerto, e restava-nos apenas pedir o encore.


Felizmente não demorou muito para Roger e a sua banda voltarem ao palco, talvez o tempo suficiente para Roger vestir o seu belo casaco bordô.

Roger fechava a noite interpretando dois míticos temas, Rock and Roll dos Led Zeppelin e Heroes do seu amigo David Bowie. A O2 Academy curvou-se perante um dos maiores músicos de sempre e concedeu-lhe um enorme aplauso, e nós erguemos com orgulho o cachecol Queen Portugal.

(fotografia de: Adrian Parry)

Mal podíamos acreditar, mas o concerto havia terminado, tínhamos visto o nosso ídolo, em primeira fila acompanhado numa prestação a solo, acompanhado por uma banda formidável. Foi de encher o coração constatar o quanto Roger se diverte em palco, e em quão boa forma está.


O texto já vai longo, e a verdade é o que concerto já foi relatado, no entanto a noite não havia acabado, faltava comprar o merchandising (obrigado ao Leonel!), e completamente afónicos lá saímos da O2 Academy. Por mera sorte conseguimos chegar ao contacto com Christian Mendoza e Tina Hizon que foram de uma simpatia extrema, e que para sempre recordaremos nos nossos corações.


Esperemos com este extenso relato ter aproximado todos aqueles que como nós tanto admiram o nosso Roger!


Obrigado Claire! Obrigado Craig! Obrigado Iris! Obrigado Jordan! Obrigado Leonel! Obrigado Nenu! Obrigado Nuno! Obrigado Rebecah!


OBRIGADO ROGER!