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Mary Austin ao Daily Telegraph - Do leilão das peças de Freddie até ao filme Bohemian Rhapsody


Mary Austin

A 12 de Agosto passado, foi publicada pelo The Daily Telegraph uma entrevista com Mary Austin, onde esta fala, não apenas sobre o Garden Lodge e os leilões de artigos de Freddie mas também recorda episódios da sua vida com o vocalista de Queen e comenta até a razão da sua falta de envolvimento no filme Bohemian Rhapsody.


Nessa entrevista com o título ‘Como se ele tivesse acabado de sair… dentro do mundo privado de Freddie Mercury, com a mulher que o conhecia melhor’, Mary começou por descrever a primeira visita que ela e Freddie fizeram ao Garden Lodge, referindo que Freddie adorou a propriedade e fez logo uma proposta pela mesma. "(…) Ele fez uma oferta pelo preço que era pedido com a condição de que fosse imediatamente retirada do mercado", recorda Austin.


Mick Brown, o autor da entrevista, teve acesso à propriedade há alguns meses, antes desta ser despejada dos artigos de Freddie. Foi nessa ocasião que Austin revelou que não teria mudado nada desde 1991, revelando "Está como estava. Quando nos mudámos, pusemos a mobília no sítio, e acabou por ficar no melhor local. Então mudá-la novamente nunca teria resultado. Cada peça está exatamente onde ele tinha planeado."


Ou seja, Brown teve ainda acesso ao Garden Lodge como teria sido deixado por Freddie, com os quadros nas paredes; o seu piano Yamaha num dos cantos; o bar ainda pronto para uma bebida ou o quarto de vestir, com os seus fatos de palco ainda guardados no seu interior.

Freddie Mercury

Quando Mary herdou a casa de Freddie em 1991, esta não teve dúvida nenhuma que deveria preservá-la como Freddie a teria deixado. "É muito dificil explicar o porquê de querer manter tudo como estava, porque as pessoas nunca iriam compreender," disse Austin "Mas porque ele confiava em mim então tornei-me protetora com tudo. Estou num sítio de amor, então porquê mudá-lo?"


Mas como Mick refere, o tempo muda tudo, e quando voltou a encontrar-se com Mary algumas semanas mais tarde, o Garden Lodge já tinha sido esvaziado. Mary explicou a sua decisão: "Tenho 72, e no próximo aniversário não terei 50. Estou a caminhar, espero eu, para ser uma octogenária e simplesmente senti que isto era algo que deveria ser feito durante o meu tempo de vida." Ao que acrescentou: "Eu olhei para tudo e pensei, tivemos a nossa viagem. O Freddie era sem dúvida um romântico, e eu também sou. Todos estes artefactos, a maioria são antiguidades; eles viajaram pelos anos, desde os anos 1800 até hoje, tiveram vários donos, eles foram adorados e estimados – é por isso que estão em condições tão boas. E agora será a sua jornada para os novos donos."


Depois de questionada sobre o livro de convidados que Freddie tinha para o seus eventos no Garden Lodge e que se encontra agora entre as peças para leilão, Austin recordou como a sua relação com Freddie se desenrolou. "Há 54 anos, no dia 6 de Setembro. Nós fomos ao Marquee; Tenho a impressão de que os Mott The Hoople estavam a tocar. (...) Ele era muito aberto, muito caloroso e divertido, aproximámo-nos. (…)”, disse referindo-se ao seu primeiro encontro com Freddie. Mary descreve depois como a sua relação se desenvolveu, sendo que acabariam por viver juntos durante seis anos. A sua relação amorosa terminaria em meados dos anos 70, mas a sua amizade continuaria durante a curta vida de Freddie.


"Antes de morrer ele disse ‘Eu deixei-te a casa porque serias a mulher com que teria casado, e por direito isto tudo seria teu de qualquer forma," revelou Mary. "O Que é que dizes? Bem, Ok…"


Mary prosseguiu com a entrevista recordando que Freddie era um ávido colecionador e que por isso adorava leilões. O vocalista de Queen fazia visitas privadas às casas de leilões, mas para o evento em si, enviava Mary ou Peter para licitar em objetos do seu interesse. Mary recorda alguns desses momentos "Eu chegava de um leilão, e a antecipação na sua face… ‘Conseguiste?’ Sim. E depois era, ‘Quanto?’ Porque é que ele confiaria no meu julgamento, eu não sei. Houve uma ou duas peças que me deixaram em choque." Austin prossegue dando como exemplo um relógio, que para si parecia banal, mas no qual Freddie viu potencial e que depois de restaurado se tornou parte integrante da "Sala Japonesa" do Garden Lodge.

Freddie Mercury

A ex-companheira de Freddie confirma, mais uma vez, que este gostava de manter a sua vida privada separada da sua imagem pública, sendo essa a razão por detrás do vocalista nunca ter discutido a sua enorme e rica coleção em público. Facto que explica também a quase ausência de fotografias do interior do seu adorado Garden Lodge. Algo que Austin também confirma nesta entrevista e que todos os que privaram com Freddie já referiram vezes sem conta, é sem dúvida, o seu carácter carinhoso e o seu enorme coração. "Ele era um ser humano tão carinhoso e especial, a sério. Ele preocupava-se com todos os trabalhavam para ele, e saia para comprar coisas- ‘ele ou ela iria adorar aquilo…’. Mas era sempre um presente com significado. Nunca era uma questão de, tenho de retribuir um favor. Era sempre para mostrar apreciação."


Quase no final da entrevista, esta revelou o porquê de ter recusado envolver-se na produção do biopic Bohemian Rhapsody de 2018. "Eu vi os trailers, com o Rami Malek a cantar no Live Aid, e eu pensei, wow, aquilo é uma edição incrível. Mas depois pensei, não, Não posso ver isto. Não porque é um filme mau; mas porque não é o Freddie, então não é a minha vida. A justaposição é demasiado distante. Não me relacionei nem um bocado com ele (o filme)."


Quando questionada sobre se guardou algum dos objetos de Freddie, Mary revelou que apenas manteve uma cadeira que compraram no início da sua relação. Esta peça teria apenas custado 5 libras, mas para Austin é um artigo bastante sentimental.


Para terminar, Mary falou sobre os fantasmas que durante muito tempo a assombraram no Garden Lodge, referindo-se às recordações de ver Freddie a tornar-se cada vez mais frágil até à sua partida. Fechando com a seguinte declaração: "A morte do Freddie foi a coisa mais complicada com que todos tivemos de lidar. Mas o resto é apenas felicidade. Tudo o que ele comprou tinha uma conotação feliz, e (as peças) tornaram-se muito importantes para ele. Há muito amor a circular nestes artefactos e na própria casa. Realmente, o seu último presente foi o seu amor."




NOTA: Se acederem à entrevista pelo computador esta encontra-se apenas disponível para assinantes do The Daily Telegraph, mas através do telemóvel foi-nos possível aceder à entrevista na íntegra sem necessidade de nenhuma assinatura.

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