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NEWS OF THE WORLD

“Não nos conseguíamos reinventar como uma banda punk, mas queríamos que as coisas fosse um pouco mais simples…” Roger Taylor

 

News Of The World, o sexto álbum dos Queen, foi gravado entre Julho e Setembro de 1977 em dois estúdios em Inglaterra. Pela primeira vez, o disco foi inteiramente produzido pela banda, sem Roy Thomas Baker, mas com a assistência do engenheiro de som Mike Stone. Foi lançado no Reino Unido a 28 de Outubro desse ano, e nos Estados Unidos a 1 de Novembro.


Pela primeira vez, um álbum dos Queen alcançaria maior sucesso nos EUA do que no país de origem da banda, atingindo o 3.º lugar na tabela Billboard e Disco de Platina, enquanto em Inglaterra ficaria no 4.º lugar e seria apenas Disco de Ouro. O álbum foi bem-recebido nas tabelas internacionais, ajudado por uma longa digressão da banda na América do Norte, no início do ano, e depois, pelo single We Are The Champions. Em Maio de 1977, o grupo fez um pequeno périplo pela Europa, quer terminou com 11 concertos no Reino Unido, incluindo dois espectáculos memoráveis em Earl’s Court, Londres, a 6 e 7 de Junho; ambos foram gravados, mas permanecem inéditos.


A capa do álbum apresenta uma imagem impressionante da banda, adaptada de uma pintura do consagrado artista de ficção científica norte-americano Frank Kelly Freas. A imagem perturbadora de um robô gigante a retirar os quatro membros da banda de um auditório destruído está entre as mais fascinantes de todo o imaginário dos Queen, tal como outra que consta da capa interior do LP, com o robô a esticar a mão para apanhar o público que foge, aterrorizado. A ideia partiu de Roger, que tinha visto a imagem original na revista americana Astounding Science e imaginou que, com uma pequena adaptação, daria uma excelente capa para o novo álbum. Freas foi contactado e adorou a ideia de a sua criação sobrenatural ser adaptada para este cenário improvável. Aceitou a proposta e concordou em alterar a imagem, colocando os membros da banda na mão metálica do robô, manchada de sangue. Quarenta anos depois, esta permanece como uma das obras gráficas mais impressionantes e memoráveis alguma vez realizadas para um álbum. Outras versões a imagem surgiram em inúmeros singles dos Queen por todo o mundo durante este período, bem como numa miríade de artigos de merchandising bizarros e maravilhosos.


News Of The World marcou um afastamento importante em relação aos dois álbuns anteriores – ambos com o nome de filmes dos irmãos Marx, A Night At The Opera e A Day At The Races –, não apenas quanto ao conceito de ilustração muitíssimo original, mas também quanto ao conteúdo musical, com uma produção comparativamente menos apurada. Foi gravado em metade do tempo dos anteriores (cerca de dez semanas) e isso explica que certas canções possuam aquilo que alguns podem descrever como um som menos elaborado – pelo menos dos padrões dos Queen, é claro! De facto, a faixa Sleeping On The Sidewalk foi gravada de uma só vez e não contém a tradicional sobreposição de sons associada às gravações de estúdio da banda. À semelhança da maioria dos temas do álbum, a canção é deliberada e visivelmente descomplicada. A banda estava a tocar a música de forma espontânea sem se aperceber de que a fita estava a rodar e, apesar de terem gravado inúmeras tentativas, a primeira versão nunca foi superada e acabou por ser a escolhida para o álbum.


Uma das três canções de Freddie incluídas em News Of The World, Get Down Make Love, é uma faixa pouco conhecida, com uma letra picante e estranhos efeitos de guitarra pelo meio, que mais tarde Brian explicaria desta forma: «Foi apenas um exercício de utilização da guitarra com efeitos harmónicos, juntamente com os ruídos de Freddie… uma espécie de interlúdio erótico.» Uma das gravações menos habituais dos Queen, que foi incluída nos concertos ao vivo da época, e durante muitos anos.


Uma outra jóia dos concertos foi a sombria e raramente escutada My Melancholy Blues, que levou Freddie par ao piano, enquanto Brian saía do palco deixando John e Roger a tocarem um subtil acompanhamento para um dos temas mais delicados alguma vez apresentados ao vivo pelos Queen.


Antes de deixarmos o tema dos admiráveis concertos de Earl’s Court no verão de 1977, e do espectáculo de inverno em Houston, vale a pena referir que nenhuma das gravações destes concertos foi propriamente lançada, mas estão a ser avaliadas pela equipa dos Queen em Londres, para criar o que pode ver a ser editado como uma futura colectânea da banda ao vivo.  


Para News Of The World, pela primeira vez, Roger e John escreveram duas faixas cada um. Sheer Heart Attack (criada para o álbum com o mesmo nome, de 1974, mas que não ficou pronta a tempo), da autoria de Roger, é uma gravação extraordinária num contraste acentuado com We Will Rock You e We Are The Champions, que a antecedem no início do álbum.


Roger: «Sheer Heart Attack foi de facto composta muito antes de News Of The World, mas só foi acabada em 1977. Quando gravámos o álbum, estávamos no estúdio ao lado dos Sex Pistols. Naquela altura, foi uma combinação interessante. Em parte, isso funcionou como um empurrão, um incentivo». 


Fight From The Inside, outra faixa pouco conhecida, revela não só os dotes vocais de Roger, que também toca baixo e guitarra rítmica. Embora não tenha escrito tanto como Freddie e Brian, John contribuiu com algumas ideias fortes e emotivas – e as suas ideias costumavam ser bem-recebidas e comercialmente rentáveis. Spread Your Wings é um dos muitos destaques do álbum e sempre que era tocada ao vivo fazia as delícias do público, independentemente do local do mundo em que fosse apresentada. A versão incluída no primeiro álbum ao vivo dos Queen, Live Killers (1979), gravado na Europa dois anos depois de News Of The World, é uma demonstração clara de como esta canção se adequava tão bem ao palco. O público dos Queen, sempre file, acompanha Freddie em cada verso, irrepreensível e no tempo certo, com afecto e entusiasmo. A outra faixa de John, Who Needs You, uma composição acústica com uma batida flamenca, nunca chegou a ser tocada ao vivo nos concertos da época.


Com o álbum terminado, o grupo estava preparado para iniciar a sua segunda digressão pela América no mesmo ano, um feito inédito para qualquer outra banda, mas típico dos Queen durante aquele período frenético. A 4 de Novembro, o grupo viajou para o continente americano para os ensaios finais e a tournée arrancou em Portland no dia 11. Foi a maior digressão alguma vez realizada pelos Queen, com 60 toneladas de equipamento, a duração mais longa e sem artistas de apoio, e um palco muito maior com passadeiras e plataformas elevadas. Um equipamento de iluminação móvel especialmente adaptado, conhecido como Crown [Coroa] (revelado pela primeira vez no Earl’s Court, em Junho) era ao mesmo tempo grandioso e sumptuoso – para não dizer extravagante e incrivelmente quente para quem trabalhava debaixo dele durante cerca de duas horas!!


A maioria das canções do álbum foi apresentada nos concertos da época, com excepção apenas de All Dead All Dead, Who Needs You e Fight From The Inside. Os espectáculos começavam com We Will Rock You, prosseguindo com uma versão nova e muito acelerada do mesmo tema, como pode ser ouvida em Live Killers. Get Down Make Love, Spread Your Wings, My Melancholy Blues, Sheer Heart Attack, o conhecido arranho de We Will Rock You e We Are The Champions, foram tocadas ao vivo durante a tournée. It’s Late também foi incluída ocasionalmente em alguns concertos, tal como Sleeping On The Sidewalk. Entre 11 de Novembro e 22 de Dezembro, a banda realizou alguns dos seus melhores concertos de sempre, incluindo duas noites no Madison Square Garden de Nova Iorque, a 1 e 2 de Dezembro, e um espectáculo gravado em Houston dez dias depois. Os Queen encerraram um dos seus anos mais preenchidos, bem-sucedidos e exigentes com uma extravagância de Natal no Fórum Los Angeles, a 22 de Dezembro. 

Disc 1
1 - We Will Rock You  (Brian May)
2 - We Are The Champions  (Freddie Mercury)
3 - Sheer Heart Attack  (Roger Taylor)
4 - All Dead, All Dead  (Brian May)
5 - Spread Your Wings  (John Deacon)
6 - Fight From The Inside  (Roger Taylor)
7 - Get Down, Make Love  (Freddie Mercury)
8 - Sleeping On The Sidewalk  (Brian May)
9 - Who Needs You  (John Deacon)
10 - It's Late  (Brian May)
11 - My Melancholy Blues  (Freddie Mercury)


​Disc 2
1 - Feelings Feelings (Take 10, July 1977)  (Brian May)
2 - Spread Your Wings (BBC Session, October 1977)  (John Deacon)
3 - My Melancholy Blues (BBC Session, October 1977)  (Freddie Mercury)
4 - Sheer Heart Attack (Live in Paris, February 28 1979)  (Roger Taylor)
5 - We Will Rock You (Fast) (Live in Tokyo, November 1982)  (Brian May)

(News Of The World (2011 Remaster) (Deluxe Edition))

 

 

SINGLES & OS VÍDEOS


O primeiro single de News Of The World juntou We Are The Champions e We Will Rock You. Lançado no Reino Unido a 7 de Outubro, o single atingiu o 2.º lugar das tabelas neste país, bem como na revista norte-americana Billboard. Embora Crazy Little Thing Called Love (1979) seja geralmente conhecido como o primeiro single dos Queen a alcançar o topo das tabelas nos Estados Unidos, o disco We Are The Champions/We Will Rock You atingiu o lugar cimeiro da tabela Record World naquele país, posicionando—se assim, tecnicamente, como o primeiro single da banda a alcançar o 1.º lugar nos tops americanos, We Will Rock You e We Are The Champions combinavam tão bem que a editora americana decidiu lançar o single como duplo lado A e, por isso, as duas canções tiveram igual tempo de antena nas rádios. Finalmente, esta dupla famosa de êxitos daria à Elektra Records o seu maior sucesso de sempre em termos de singles, vendendo mais de dois milhões de cópias.


Em França, o single We Are The Champions manteve-se no primeiro lugar das tabelas durante doze semanas consecutivas, após o que, e apenas por não ser permitido que um disco permanecesse mais tempo como número um, a tabela substitui-o pelo novo single We Will Rock You. A capa francesa original do disco de 7’’ We Are The Champions não tinha qualquer título além da imagem do robô, mas depois de alcançar o primeiro lugar, foi acrescentado single We Will Rock You, oferecendo-se assim aos fãs outra jóia rara para coleccionar.


Brian: «Freddie fez os arranjos para o piano e voz, e acho que ficámos todos levemente chocados porque soava de forma muito arrogante. Mas claro que só precisávamos de um momento para perceber que We Are The Champions não significa ‘eu e os meus amigos’, mas sim todos nós. E essa era a mensagem que o Freddie queria realmente transmitir.»


Derek Burbridge produziu um vídeo especial para single We Are The Champions, mostrando membros do Queen Fan Club na sua sede em Londres. Os fãs foram convidados para o New London Theatre no dia 6 de Outubro, para fazerem de público como se se tratasse de um espectáculo ao vivo. No final daquele dia de filmagens, a banda permaneceu em palco e tocou uma série de dez canções como agradecimento. O vídeo seria exibido em todo o mundo, enquanto uma versão alternativa (apresentando diferentes ângulos de câmara) seria usada para o programa «Top Of The Pops», no Reino Unido.


Para o vídeo da faixa We Will Rock You, em Janeiro de 1978, a banda foi filmada no jardim da casa de campo de Roger, comprada recentemente, aproveitando o tempo que sobrara da gravação do filme promocional de Spread Your Wings, e com luz do dia suficiente apenas para duas gravações. Estava muito frio e, enquanto os dedos enregelados de John e Brian resistiam, Freddie surge com umas luvas do chefe da equipa técnica dos Queen – daí a palavra RATTY que aparece nos nós dos dedos, claramente visível no vídeo.


Brian: «Basicamente, não há bateria nem baixo na gravação de Rock You. Somos nós a bater em algumas tábuas que estavam por ali espalhadas e que acabaram por produzir o som desejado. A forma como trabalhámos é outra história; gravámos em várias pistas e introduzimos alguns atrasos para que o som não ecoasse, soando antes como se estivesse à nossa volta, como se nós estivéssemos no meio de milhares de pessoas a bater com os pés e as mãos.»


We Are The Champions e We Will Rock You foram rapidamente adoptadas por várias equipas e claques de futebol inglesas e americanas, bem como em espetáculos desportivos no mundo inteiro. Hoje, as suas canções são conhecidas em qualquer canto do planeta, universalmente identificáveis logo após os primeiros acordes, e foram reinterpretadas, experimentadas, copiadas e usadas num milhão de contextos diversos, desde publicidade e anúncios de televisão, até filmes, brinquedos, t-shirts e toques para telemóveis.


Em relação às canções do álbum que marcaram presença nas actuações da época, vale a pena lembrar que We Will Rock You e We Are The Champions rapidamente se tornaram obrigatórias nos espectáculos ao vivo e assim permaneceram até ao concerto final em Knebworth Park, Inglaterra, em Agosto de 1986. A partir de 1977, e até ao fim da década, esta dupla famosa esteve presente em todas as apresentações da banda, o que se verificou também, na década de 1980, até ao último concerto, incluindo o lendário e triunfal Live Aid, em Julho de 1985, We Are The Champions foi sempre o ponto alto mais emotivo de qualquer espectáculo dos Queen, enquanto We Will Rock You alternava entre a abertura e o final dos concertos – ou até em ambos os momentos, como se pode ouvir no álbum Live Killers, onde uma versão acelerada inicia a apresentação em ritmo alucinante, enquanto a versão mais familiar de «batida, batida, palmas» encerra o espectáculo.


O segundo single do álbum foi Spread Your Wings, acompanhado de Sheer Heart Attack. Lançado a 10 de Fevereiro de 1978, e apesar do vídeo do «jardim», Spread Your Wings alcançou apenas um decepcionante 34.º lugar nas tabelas do Reino Unido. O mesmo single foi editado também noutros países europeus, mas curiosamente não teve edição nem nos Estados Unidos nem no Japão. Nestes dois países, foi lançado It’s Late, em Abril de 1978, para o qual não existia qualquer vídeo, nem mesmo de filmagens ao vivo de concertos recentes. Em parte, por esta razão, e devido à sua duração de seis minutos, It’s Late recebeu muito pouco tempo de antena nos EUA. Entretanto, a Elektra Records lançou no Japão uma versão bastante editada do tema, sem o conhecimento da banda, que não alcançou as tabelas.


Todas estas gravações - Spread Your Wings, We Are The Champions, We Will Rock You (tanto a filmagem no jardim, como a versão curta gravada ao vivo em Houston, Texas), surgiram na colectânea de vídeos Greatest Video Hits I, foram vistas pela primeira vez em DVD – juntamente com todos os filmes promocionais anteriores.

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