Freddie vai para Hollywood: Como ‘Bohemian Rhapsody’ Finalmente Foi Feito


Rami Malek e o produtor Graham King falam sobre o longo e duro caminho percorrido para trazer esta biografia dos Queen para o grande ecrã.


Quando o trailer para a biografia dos Queen Bohemian Rhapsody chegou à Internet em Maio, o mundo inteiro finalmente pôde ver a transformação da estrela de Mr. Robot, Rami Malek, em Freddie Mercury. O que não viram foi a longa e tortuosa jornada que este filme teve antes das filmagens acabarem – incluindo dilemas de casting que foram públicos, a quase impossível tarefa de contar a história inteira de uma banda lendária do rock num filme de duas horas e também a saída do realizador Bryan Singer perto do fim da produção. “Foi frustrante”, disse o produtor Graham King. “Fosse a bem ou a mal, eu estava determinado a fazer este filme.”


A saga começa há quase uma década atrás, quando o guitarrista Brian May começou a mencionar um potencial filme sobre os Queen que contaria com Sacha Baron Cohen no papel de Freddie Mercury. As conversações entre as duas partes quebraram no inicio do processo, no entanto, em 2016, a estrela de Borat contou a sua versão da história a Howard Stern, dizendo que um membro da banda disse que Mercury "morreria a meio do filme". “Eu disse - O que acontece na segunda parte do filme?" disse o actor. “Ele diz - Veremos como a banda continua depois disso." Eu disse, ‘Ouve, nenhuma pessoa vai ver um filme onde a personagem principal morre de SIDA – e depois vemos como a banda continua” (Brian May negou enfaticamente a versão dos factos de Cohen na altura).


“O Sacha nunca esteve oficialmente anexado a este projecto,” disse King. “Nunca pensei que Freddie pudesse ser representado por um actor branco. E nunca houve um guião onde Freddie Mercury morreria a meio do filme. Nunca. Eu mantive a minha boca calada durante isto tudo, mas falo agora oficialmente sobre isso.”


Houve uma conversa breve sobre Bem Winshaw tomar conta do papel, mas isso mudou quando o também produtor e colega de King, Denis O’Sullivan, ligou um dia e disse a frase: “Encontrei o Freddie.” Ele enviou um video de Malek a fazer a sua melhor imitação de Mercury. “Eu pensei logo "É ele," disse King. "Acabou. Encontrei-o." Nunca houve um segundo olhar ou uma vacilação da nossa parte no sentido em que ele não era Freddie Mercury.”


Esse tipo de entusiasmo foi um choque para Malek. “Eu pensei que alguém estava a gozar comigo,”disse Malek. “Mas quando falei com o Graham, tive a sensação que isto poderia ser real. Isso deitou-me ao chão. Senti uma excitação enorme… que foi seguida do sentimento do extremo e assustador peso da coisa. Senti que era algo que me poderia fugir num instante.”


Para se preparar para o papel, Malek colocou as suas mãos no maior número de livros sobre os Queen que conseguiu encontrar, viu documentários e entrevistas em grande quantidade. Também falou com Brian May e Roger Taylor em grande detalhe sobre o seu colega de banda. “Eles disseram-me que ele era quem mantinha paz,” disse Malek. “Eu conseguia perceber que existe uma grande ligação entre eles que existirá para sempre na sua música. Foi uma coisa muito bonita de se conseguir deles pessoalmente e ver o quanto eles gostavam dele.”


Encarar a personagem também exigiu muito trabalho com um professor de movimentos para conseguir aprender os movimentos de dança distintos que tinha Freddie e um professor de diálogo para conseguir acertar com o sotaque. Rami também precisou de uma prótese dentária porque Freddie tinha quatro dentes extra em cima e a sua famosa parte de cima muito para a frente. “Ele era muito inseguro em relação a isso,” disse Malek. “Se virem uma entrevista dele, verão a quantidade de vezes que ele tenta esconder os seus dentes com os lábios ou a mão.”


Uma coisa que ele não conseguiu recriar foi a voz de Mercury a cantar. A maioria das cenas em que Freddie está a cantar precisaram de gravações dos Queen ou novas gravações de Marc Martel, um Canadiano cantor de rock que tem uma voz muito idêntica à do malogrado vocalista dos Queen. “Podem fechar os olhos e é o Freddie,” disse King. “E isso é algo muito difícil de fazer.”


E muito antes de Malek se comprometer com o filme, os produtores debateram-se com questões sobre o guião. Quanto é que da vida de Mercury antes da fama deveria ser mostrada? Quanto tempo deveria ser dedicado à sua vida pessoal e à sua sexualidade? Deveria o público ver como os últimos anos de vida com SIDA dera conta do seu corpo? “Tivemos que tentar encontrar um meio termo entre a forma correcta de contar a história,” disse King. Foi um filme muito complicado de se criar.


No fim, decidiram focar-se no histórico concerto no Live Aid, que foi recriado em estonteante detalhe perto do climax do filme. Grande atenção é dada a momentos chave como as gravações da música “Bohemian Rhapsody”, mas a história não vai para lá de 1985. “Sentimos que não deveríamos chegar à sua morte,” disse King. “Não queríamos que fosse tão negro. O que queríamos fazer era entrar nos Queen e ver como eles trabalhavam juntos e como criaram esta fantástica biblioteca de músicas.”


Pouco depois das filmagens acabarem, o realizador Bryan Singer deixou o projecto depois de rumores persistentes de que estaria a entrar em conflito com o elenco e o resto da equipa de filmagens. Dexter Fletcher acabou o que faltava, embora só Singer vá receber o crédito. “Senti que o Freddie estava a lançar-me obstáculos durante este filme,” disse King. “Claro que foi difícil (quando Singer deixou o projecto), mas é o que é. Nunca iríamos deixar de acabar o filme.”


Quando acabaram, Malek disse que tem um respeito ainda maior pelo talento de Mercury do que tinha ao inicio. “Aqui está um homem que cantava “We Are The Champions” num estádio com milhares de pessoas em que estavam todas a cantar de volta para ele.” A sua habilidade em unificar pessoas, fossem quem fosse, estava muito à frente do seu tempo. Eu não consigo pensar em mais ninguém capaz disso.”


Fonte: Rolling Stone


© 2011 - 2020 - Queen Portugal - Portal da Comunidade de Fãs Portugueses dos Queen